Recorde nas exportações de carne bovina reforça a importância da proteção pecuária
- 13/ outubro / 2025
Com o avanço das exportações e o crescimento do rebanho nacional, o seguro pecuário ganha relevância como instrumento de estabilidade financeira e segurança produtiva no campo

Karen Matieli
O Brasil voltou a surpreender. Mesmo com o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, as exportações de carne bovina bateram recorde histórico em julho, superando 313 mil toneladas e movimentando mais de US$ 1,6 bilhão. Um resultado que mostra a força e a resiliência da pecuária brasileira — mas também acende um alerta sobre os riscos que sustentam esse desempenho.
Por trás dos bons números, existe uma cadeia que trabalha diariamente sob incertezas: doenças, acidentes, variações climáticas e perdas reprodutivas são ameaças constantes dentro da porteira. Fora dela, o produtor ainda enfrenta oscilações de preço, mudanças de mercado e barreiras comerciais que podem mudar o cenário de uma hora para outra. Esses riscos não aparecem nas manchetes, mas impactam diretamente a estabilidade financeira e a capacidade de investimento do pecuarista.
É aí que o seguro pecuário se torna um aliado estratégico. Ele garante proteção contra perdas inesperadas e dá fôlego para que o produtor mantenha o planejamento, mesmo diante dos imprevistos. Num mercado globalizado e cada vez mais competitivo, a previsibilidade é um ativo valioso. O produtor que protege seu rebanho está, na prática, protegendo o próprio negócio — e ajudando a fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor confiável de carne de qualidade.
Nos últimos anos, a procura pelo seguro pecuário tem crescido de forma expressiva, embora ainda represente uma pequena fatia do total do seguro rural. De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o seguro pecuário movimentou R$ 437,3 milhões em prêmios entre janeiro e setembro de 2024, registrando um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, as indenizações pagas ultrapassaram R$ 170 milhões, refletindo o aumento da severidade dos eventos cobertos — especialmente mortes por causas acidentais, doenças e eventos climáticos extremos.
Esses números mostram um movimento de conscientização gradual no campo. A pecuária, que por muito tempo confiou apenas na experiência e na previsibilidade do ciclo produtivo, agora começa a enxergar o seguro como ferramenta de gestão de risco. E isso é fundamental. Afinal, a reposição de matrizes, a perda de bezerros ou o impacto de uma seca severa podem comprometer não apenas a produção, mas também o fluxo de caixa e o acesso a crédito rural.
Outro fator que reforça a importância dessa proteção é a pressão crescente do mercado global por padrões ESG. A sustentabilidade deixou de ser discurso para se tornar critério de acesso a novas linhas de financiamento e exportação. Nesse contexto, o seguro pecuário também se insere como um instrumento de governança e responsabilidade produtiva, garantindo rastreabilidade, controle de perdas e transparência — atributos cada vez mais valorizados por compradores internacionais e instituições financeiras.
Porque alcançar um recorde é motivo de orgulho.
Mas manter-se no topo exige gestão, resiliência e, principalmente, proteção. No campo, onde cada decisão impacta o futuro da produção, segurar o rebanho é segurar o país.