ESG no Agronegócio
- 9/ fevereiro / 2026
O valor da sustentabilidade na nova economia rural

Elaine Teixeira
Como a agenda ESG está redesenhando o futuro do campo? O termo ESG, acrônimo para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), evoluiu rapidamente de um conceito de nicho para o epicentro da estratégia corporativa global. Para uma potência como o agronegócio brasileiro, que representou quase um quarto do PIB nacional em 2024 com R$ 2,7 trilhões, a agenda ESG tornou-se a nova e definitiva fronteira da competitividade. Longe de ser apenas uma formalidade para relatórios, ela representa um poderoso motor de transformação, capaz de alinhar a produção de alimentos com a geração de valor econômico, social e ambiental em uma escala sem precedentes, redefinindo o que significa ser um líder no campo.
Essa transição, impulsionada pela demanda de consumidores, investidores e novos marcos regulatórios, não é apenas necessária, mas demonstra ser extremamente lucrativa. Um estudo aprofundado da EY-Parthenon, divulgado no final de 2025, quantifica esse potencial de forma contundente: a adoção consistente de práticas ESG poderia injetar R$ 247 bilhões por ano no agronegócio brasileiro. Esse valor representa um crescimento potencial de 26,5%, o equivalente a todo o avanço acumulado pelo setor nos últimos sete anos. O impacto positivo se estenderia por toda a economia, com a geração de quase 2 milhões de empregos e um acréscimo de R$ 112 bilhões em arrecadação tributária, recursos capazes de financiar projetos massivos de infraestrutura e políticas sociais.
Os benefícios ambientais são igualmente impressionantes e reforçam a posição do Brasil como protagonista na economia verde. A implementação de práticas ESG em larga escala poderia evitar a emissão de 328,6 milhões de toneladas de CO₂, economizar 11,5 trilhões de litros de água e reduzir a geração de resíduos em 29 milhões de toneladas anualmente, segundo o mesmo estudo da EY. Nesse contexto, migrar de uma postura reativa de compliance para uma estratégia proativa de gestão de riscos e oportunidades na origem é o que diferenciará os líderes do futuro. Práticas de agricultura regenerativa, como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), não só sequestram carbono e protegem a biodiversidade, mas também aumentam a resiliência das lavouras às mudanças climáticas e reduzem significativamente os custos com insumos.
Contudo, a jornada ESG vai além do pilar ambiental. A governança transparente, apoiada por tecnologias de rastreabilidade digital que se consolidam como tendência para 2026, é fundamental para garantir a confiança e abrir portas para mercados mais exigentes. No pilar social, o setor enfrenta o desafio de melhorar as condições de trabalho, promover a inclusão e fortalecer o engajamento com as comunidades locais. O agronegócio que abraça a agenda ESG em sua totalidade não está apenas respondendo a uma demanda de mercado; está semeando as bases para uma colheita duradoura de valor, resiliência e liderança no cenário global. O futuro do campo não é apenas verde; ele é sustentável, inclusivo e altamente rentável.