Seguro pecuário e ESG
- 2/ fevereiro / 2026
O seguro pecuário como gestão na prática

Karen Matieli
Muito se fala em ESG no agronegócio, mas no dia a dia da pecuária ele aparece de forma bem mais simples. Está no manejo correto, na sanidade do rebanho, na organização da propriedade e na capacidade de atravessar momentos difíceis sem comprometer o negócio.
Ao longo da minha atuação com seguro rural, tenho visto o seguro pecuário deixar de ser apenas uma proteção contra perdas. Ele passou a fazer parte da gestão da atividade e, consequentemente, da própria lógica de sustentabilidade no campo.
Quando olhamos para o ESG na prática, fica claro que boa parte desse conceito nasce da gestão de riscos. Propriedades organizadas, com controle sanitário e planejamento, tendem a apresentar menos perdas e impactos ambientais menores. O seguro, nesse contexto, funciona como um indutor de boas práticas e de previsibilidade — dois pilares fundamentais para quem produz.
O impacto social também é direto. Seguro pecuário não trata apenas de animais, mas de renda, de empregos e de continuidade, perpetuando por gerações. Quando uma perda acontece, o seguro ajuda o produtor a manter o negócio de pé, honrar compromissos e seguir produzindo. Isso é sustentabilidade aplicada à realidade rural.
Do ponto de vista da governança, a relação é ainda mais clara. Para contratar uma apólice, é preciso organização, dados, parte sanitária em dia e clareza de processos. O que muitos veem como burocracia, na prática, é profissionalização. E gestão organizada gera confiança, melhora o acesso a crédito e fortalece a relação entre produtor, corretor e seguradora.
Nesse cenário, o papel do corretor e da seguradora também evolui. Mais do que vender apólices, passam a atuar como parceiros na estruturação do risco e na perenidade do negócio rural.
No fim das contas, integrar seguro pecuário e ESG não é seguir uma tendência. É fazer o básico bem feito. ESG, no campo, começa na gestão. E o seguro faz parte dessa equação.