Seguro sustentável pós-COP30
- 16/ dezembro / 2025
Uma ferramenta estratégica para a resiliência do agro

Elaine Teixeira
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, trouxe à tona a urgência de integrar a sustentabilidade a todos os setores da economia, e para o agronegócio, o recado foi claro: inovar ou arcar com prejuízos crescentes. Nesse contexto, uma abordagem inovadora que ganha força é o seguro sustentável, que deixa de ser um simples mecanismo de compensação de perdas para se tornar uma ferramenta estratégica de resiliência e um catalisador para práticas agrícolas regenerativas.
Os números recentes expõem a vulnerabilidade do setor. Estudos apresentados durante a COP30, apontam que as perdas globais por desastres naturais em 2024 alcançaram a cifra de US$ 368 bilhões, com menos da metade (40%) devidamente segurada. No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. As chuvas extremas que devastaram o Rio Grande do Sul, por exemplo, causaram prejuízos estimados em R$ 100 bilhões, mas apenas uma pequena fração, cerca de 6%, estava coberta por seguros. Com menos de 8% de nossa vasta área agrícola protegida, fica evidente que a baixa adesão ao seguro rural não apenas compromete a capacidade de recuperação do produtor, mas também amplia as desigualdades e sobrecarrega o Estado com ações emergenciais.
Contudo, essa realidade apresenta uma oportunidade de transformação. O setor segurador, com ativos que somam R$ 2,3 trilhões, possui um potencial imenso para direcionar capital e fomentar uma mudança positiva. O desafio é enxergar o seguro não apenas como uma indenização, mas como um instrumento de política pública que incentiva a adaptação climática. Iniciativas como o desconto no Plano Safra para produtores que investem em tecnologias de baixa emissão de carbono, conforme destacado pelo Ministério da Agricultura, são um passo na direção certa. Além disso, o mercado já começa a oferecer produtos inovadores, como apólices que financiam a recuperação ecológica e se integram ao nascente mercado de créditos de carbono.
O seguro sustentável se apresenta, portanto, como uma alternativa promissora ao modelo convencional, oferecendo benefícios que vão além da proteção da lavoura. Ele pode destravar investimentos bilionários em agricultura regenerativa, alinhar a produção de alimentos à conservação ambiental e gerar novas fontes de renda para o produtor. A transição para um agro mais resiliente e sustentável depende da convergência entre políticas de incentivo, inovação no mercado segurador e, principalmente, da mudança de mentalidade do próprio setor produtivo. A COP30 deixou claro que o clima não espera; a hora de agir é agora.