Seguro rural recua 9% em 2025 e acende alerta no mercado segurador, aponta ranking
- 22/ maio / 2026
Estudo mostra queda no faturamento do ramo rural, avanço da concentração de mercado
Por Tany Souza
O seguro rural voltou ao centro das preocupações do mercado segurador brasileiro em 2025. Dados do ranking das seguradoras apontam que o segmento registrou queda de 9% no faturamento no último ano, passando de R$ 14,168 bilhões em 2024 para R$ 12,904 bilhões em 2025.
O levantamento, realizado pelo economista Francisco Galiza, destaca que o desempenho negativo do seguro rural ocorre em um momento de aumento dos riscos climáticos, pressão financeira sobre produtores e redução dos incentivos públicos ao setor. “O principal fator é a redução de subvenção, depois o aspecto cultural, mas aí fica difícil medir essa relação”, comenta.
Na análise econômica do estudo, o economista responsável pelo ranking afirma que, entre os fatores negativos do mercado segurador em 2025, estiveram a queda de receita do VGBL e do seguro rural, mas por motivos distintos. O documento aponta ainda que, no caso do agro, a retração está ligada à falta de incentivo do Estado.
“Estamos esperando o plano de subvenção rural e o seguro rural não vive sem esse programa do governo. Sem isso, o segmento não se desenvolve”, comenta Galiza.
O relatório também ressalta que o cenário de juros elevados impacta diretamente o consumo e o financiamento de bens ligados ao mercado segurador, além de pressionar o ambiente econômico do agronegócio.
Mesmo diante da retração do seguro rural, o setor de seguros como um todo apresentou crescimento. Segundo o estudo, a receita dos produtos de risco atingiu R$ 313 bilhões em 2025, alta de 8% em relação ao ano anterior.
O levantamento também mostra que o mercado segurador brasileiro continua atraindo novos investidores e empresas, especialmente modelos intensivos em tecnologia. O número de grupos seguradores ativos no país passou de 98 em 2024 para 109 em 2025.
No seguro rural, porém, o ambiente segue mais desafiador. Especialistas do setor vêm alertando que a combinação entre eventos climáticos extremos, alta sinistralidade, custo elevado do crédito e incertezas em torno do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) tem reduzido a capacidade de contratação de apólices pelos produtores.
Outro ponto que chama atenção no estudo é a forte concentração do mercado segurador brasileiro. Segundo o ranking, os cinco maiores grupos do setor em produtos de risco foram Bradesco, SulAmérica, Porto Seguro, Banco do Brasil e Zurich Santander, concentrando entre 50% e 55% de todo o mercado nacional.
Nos demais ramos, no entanto, as lideranças variam. O ranking mostra que, em “Demais Ramos”, a Caixa Seguridade liderou em 2025 com participação de 21,95%, seguida por Mapfre, Itaú, Zurich Santander e Tokio Marine.
O avanço da tecnologia, o crescimento do uso de inteligência artificial, a digitalização da subscrição e o fortalecimento do seguro paramétrico também aparecem como tendências que devem ganhar espaço nos próximos anos, especialmente no agronegócio, diante da necessidade de soluções mais customizadas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Para o mercado, a leitura é clara: sem previsibilidade orçamentária, fortalecimento do PSR e ampliação de mecanismos de compartilhamento de riscos, o seguro rural continuará distante do potencial necessário para proteger a produção agropecuária brasileira.