Seguro rural entra na agenda prioritária do agro diante de riscos crescentes e baixa proteção
- 30/ março / 2026
Em meio a uma “tempestade perfeita” no agro, especialistas defendem revisão estrutural do seguro rural e fortalecimento da negociação entre produtores e credores
Por Redação
O modelo de subsídio ao seguro rural adotado no Brasil precisa ser revisado de forma abrangente para garantir que produtores com perdas em uma safra tenham condições de plantar na temporada seguinte, segundo avaliação do assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, durante o Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (30/3), em São Paulo.
Augustin destacou o contraste com os Estados Unidos, onde 90% da área cultivada conta com seguro rural e o governo subsidia cerca de 60% do custo. No Brasil, a cobertura ainda é limitada: apenas 7% da área plantada no último ano tinha algum tipo de seguro rural, abaixo inclusive de anos anteriores, quando o índice superava 10%, de acordo com o deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Arnaldo Jardim, que também participou da abertura do evento. “Temos de repensar tudo [no Brasil]. Nos Estados Unidos, se o produtor for mal, ele tem dinheiro para garantir a produção do safra seguinte”, disse Augustin.
O assessor também afirmou que há espaço para avançar na criação de uma “Lei do Agro 3”, com atualização das regras para instrumentos privados de financiamento do agronegócio, como a Cédula de Produto Rural (CPR).
No mesmo evento, a superintendente jurídica do Itaú Unibanco, Andrea Greco, afirmou que o agronegócio enfrenta uma “tempestade perfeita”, resultado da combinação de fatores climáticos adversos, interferências geopolíticas recentes, aumento nos preços do diesel e fertilizantes, crescimento no número de recuperações judiciais e maior dificuldade de acesso ao crédito. “O acesso ao crédito fica um pouco mais difícil [neste cenário]. Sou partidária da negociação administrativa e de fortalecer pontos de negociação entre credor e produtor”, afirmou Greco.
A executiva destacou ainda que credores não têm interesse nas recuperações judiciais, já que esse caminho transforma a relação em litigiosa, deixando de ser contratual. Nesse contexto, defendeu o fortalecimento das garantias fiduciárias, com bens dados como garantia, como forma de dar mais segurança às operações.
Diante desse cenário, o seguro rural ganha ainda mais relevância como instrumento estratégico para mitigar riscos, ampliar a previsibilidade da atividade agrícola e sustentar o acesso ao crédito em momentos de maior instabilidade no setor.
FONTE: Globo Rural