Seguro rural avança na transição de safra com monitoramento socioambiental
- 9/ abril / 2026
Ferramenta da CNseg que cruza 18 bases públicas amplia análise de risco e reforça a governança no campo
Por Redação
Neste momento do calendário agrícola, o Brasil atravessa uma fase estratégica de transição entre safras. A colheita da soja, principal cultura do país, avança na maior parte das regiões, ao mesmo tempo em que a primeira safra de milho entra em fase inicial de colheita. Paralelamente, o plantio da segunda safra de milho, a safrinha, ganha ritmo e representa uma parcela relevante da produção anual. Culturas como arroz e feijão também seguem em colheita, consolidando esse período como uma etapa de renovação dos ciclos produtivos e, sobretudo, de intensificação da análise de riscos no campo.
Dentro desse cenário, cresce a importância de instrumentos que reforcem a segurança, a transparência e a conformidade das operações no seguro rural. Um dos destaques é a Solução de Conformidade Socioambiental desenvolvida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), criada para apoiar o processo de subscrição com base em critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). A ferramenta realiza o cruzamento de informações de 18 bases públicas oficiais, incluindo o Cadastro Ambiental Rural (CAR), áreas embargadas, unidades de conservação, terras indígenas e registros de desmatamento, permitindo uma avaliação mais precisa, estruturada e auditável dos riscos antes da aceitação do seguro.
Na prática, essa tecnologia amplia a capacidade das seguradoras de avaliar riscos com maior rigor técnico e respaldo jurídico, qualificando o processo decisório. “A solução Conformidade Socioambiental, da CNseg, apoia a gestão de riscos das seguradoras ao avaliar a conformidade socioambiental de propriedades com base em legislações, regulações e outros critérios relevantes. Voltada principalmente ao seguro rural, mas aplicável também ao contexto urbano, a solução cruza automaticamente informações de imóveis, polígonos e registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com diversas bases socioambientais. Com isso, as seguradoras ganham mais segurança jurídica e operacional nos processos de subscrição e renovação de apólices, além de maior transparência e responsabilidade na gestão de riscos”, afirma André Vasco, diretor da Diretoria de Serviços às Associadas da CNseg.
A adoção desse tipo de solução reforça práticas que já vêm sendo incorporadas pelo mercado segurador. De acordo com dados do Relatório de Sustentabilidade da CNseg, 68,6% das seguradoras já integram critérios ASG à subscrição, enquanto 80,6% informam recusar cobertura ou deixar de renovar contratos diante de riscos socioambientais incompatíveis com suas diretrizes. O uso de bases públicas, aliado a ferramentas de georreferenciamento e monitoramento contínuo, amplia a rastreabilidade das operações e fortalece tanto a governança quanto a segurança jurídica no campo.
Para Glaucio Toyama, presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a incorporação dessas soluções reflete a evolução estrutural do setor. “O seguro rural tem passado por um processo contínuo de aprimoramento, incorporando tecnologia, dados e critérios cada vez mais rigorosos na análise de risco. A Solução de Conformidade Socioambiental é um exemplo concreto de como o setor vem estruturando suas práticas não apenas do ponto de vista ambiental e social, mas também de governança, com processos mais transparentes, auditáveis e alinhados às exigências regulatórias, garantindo não apenas a proteção da produção, mas também a integridade das cadeias produtivas e o cumprimento da legislação”.
Esse movimento ganha ainda mais relevância em momentos como o atual, em que diferentes ciclos produtivos se sobrepõem. “É justamente nesses períodos, em que se encerram ciclos e se iniciam novos plantios, que a avaliação de riscos ganha ainda mais relevância. As seguradoras estão cada vez mais preparadas para atuar com critérios técnicos e responsabilidade socioambiental e solidez de governança, contribuindo para um ambiente de maior transparência, previsibilidade e sustentabilidade no campo”.
Na avaliação das entidades do setor, como CNseg e FenSeg, o avanço do seguro rural está diretamente ligado ao fortalecimento da governança e ao aprimoramento contínuo dos mecanismos de monitoramento e controle, consolidando o segmento como um instrumento essencial para a produção agrícola sustentável no Brasil.