Seguro rural ganha destaque na agenda institucional do mercado segurador
- 13/ abril / 2026
Documento da CNseg reforça necessidade de ampliar cobertura no campo e integrar o seguro à estratégia de desenvolvimento do país
Por Tany Souza
O lançamento da agenda institucional do mercado segurador, realizado em Brasília, consolidou o seguro rural como uma das prioridades estratégicas do setor diante do aumento dos riscos climáticos e da queda na cobertura no campo. O documento, apresentado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), sintetiza a visão do setor para enfrentar desafios estruturais e ampliar a proteção da economia brasileira.
O evento reuniu lideranças do mercado e do poder público, como Roberto Santos, presidente do Conselho Diretor da CNseg; Armando Vergílio, presidente da Fenacor; o senador Eduardo Gomes, além do Subsecretário de Reformas Microeconômicas e Regulação Financeira, Vinicius Brandi, e os deputados federais Arthur Maia (União-BA), Tiago Dimas (Podemos) e Duda Salabert (PDT-MG).
A agenda aponta que o agronegócio representa 23,2% do PIB brasileiro, mas a cobertura securitária segue em trajetória de queda. A área protegida recuou de 16,3% em 2021 para 7,5% em 2024 e para menos de 3% em 2025, cenário que acende um alerta sobre a vulnerabilidade do setor diante de eventos climáticos extremos.
Durante o evento, todos os participantes deixaram claro a necessidade de construção de políticas públicas que ampliem a base segurada e integrem o seguro à estratégia de desenvolvimento do país, com apelos por avanços regulatórios que incentivem inovação e novos produtos.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, chamou atenção para os impactos diretos da baixa cobertura no campo. “Fica claro os malefícios da falta do seguro rural para a agricultura brasileira, e isso provoca o endividamento do produtor rural, perdas de produtividade, custos para o próprio estado, que tem que renegociar dívidas, arcar com os juros, conceder descontos. Não só no exemplo do seguro rural, mas em todas as outras áreas. Temos que fazer uma grande reflexão sobre os motivos, causas e consequências da falta de seguro no Brasil. Mais importante do que isso é que precisamos traçar uma agenda positiva de trabalho na direção do crescimento do seguro”, afirmou.
Ele reforçou ainda que o papel do seguro vai além do setor. “Eu não falo isso por causa do mercado de seguros, mas o quanto pode trazer de benefícios da sociedade mais produtivo, por ser um mecanismo de estabilização do crescimento econômico, da saúde financeira das familia, pessoas, empresas e negócios em geral.”
Outro eixo relevante da agenda é a adaptação às mudanças climáticas, com foco em cidades resilientes e no uso do seguro como instrumento para mitigar impactos de desastres naturais, proteger infraestrutura e apoiar políticas públicas.
O superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, destacou a necessidade de planejamento e evolução regulatória diante de um cenário mais complexo. “Precisamos ser capazes de planejar o futuro”, afirmou. Segundo ele, o setor enfrenta desafios relevantes, como o grande volume de propostas de mudanças regulatórias e a necessidade de reorganização do sistema para ampliar a segurança jurídica.
Octaviani também ressaltou o impacto crescente das mudanças climáticas sobre o mercado. “Para o futuro, precisamos enfrentar a complexidade da transformação climática, que traz incidentes cada vez mais frequentes e intensos. E esses dados não permitem qualquer tipo de negativa sobre eles, porque fazem parte do balanço das seguradoras e resseguradoras.”
A agenda institucional também reforça a importância do diálogo entre governo, reguladores e mercado para destravar o crescimento do setor, ampliar a proteção da sociedade e consolidar o seguro como ferramenta central de estabilidade econômica, com o seguro rural no centro dessa transformação.