11 de August de 2026
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Seguro rural ainda alcança menos de 100 mil produtores e expõe desafio no financiamento do agro

  • 11/ agosto / 2026

Maior integração entre seguro, crédito e mercado de capitais pode ampliar a proteção financeira do produtor diante da volatilidade e do aumento dos riscos climáticos

Por Redação

Com menos de 100 mil produtores rurais segurados no Brasil, ampliar o acesso ao seguro rural permanece entre os principais desafios para fortalecer a gestão de riscos e o financiamento do agronegócio. O tema ganhou espaço no painel “Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis”, realizado durante a edição de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio, nesta segunda-feira (10), em São Paulo.

Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela B3, o evento reuniu especialistas para discutir alternativas de financiamento em um período de maior volatilidade. Para Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, a baixa penetração do seguro rural torna o quadro ainda mais preocupante diante da maior frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos.

Segundo a executiva, o seguro também pode contribuir para a avaliação dos riscos e incentivar práticas mais sustentáveis na produção. O avanço no uso de informações climáticas pode apoiar produtores, seguradoras, instituições financeiras e demais participantes do mercado de crédito, permitindo uma análise mais precisa da exposição de cada operação.

A discussão sobre o seguro rural fez parte de um debate mais amplo sobre a necessidade de melhorar a gestão financeira da atividade agropecuária. Na avaliação das especialistas, o Brasil dispõe de diferentes instrumentos capazes de direcionar recursos ao setor, mas ainda precisa ampliar o acesso ao mercado de capitais, fortalecer garantias e integrar de forma mais consistente crédito, seguro e gestão de riscos.

Para Flávia Palacios, diretora da ANBIMA, esse avanço passa pela aproximação entre produtores e agentes financeiros. “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira, inclusive para identificar quais instrumentos de seguro são mais adequados para cada risco”, afirmou.

Mercado de capitais amplia alternativas

Entre os instrumentos que ganharam relevância no financiamento do agronegócio estão os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), amparados por um arcabouço regulatório consolidado, e os Fiagros, que ampliaram as possibilidades de investimento em ativos e empresas ligados ao setor.

Atualmente, cerca de 600 mil investidores possuem aplicações em CRA, com tíquete médio de R$ 43 mil. No Fiagro, o valor médio é de aproximadamente R$ 1 mil, ampliando a possibilidade de participação de diferentes perfis de investidores no financiamento do agronegócio.

Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, explicou que instrumentos originados na própria atividade rural também podem integrar essa estrutura. A Cédula de Produto Rural (CPR), por exemplo, pode ser utilizada como garantia e compor operações de CRA e outros instrumentos financeiros.

Risco e financiamento caminham juntos

Para Julyana Yokota, managing director e especialista setorial da S&P Global Ratings, volatilidade e risco fazem parte da própria dinâmica do agronegócio. Por isso, planejamento financeiro, transparência e governança precisam ser incorporados à estratégia das empresas. “Quando falo de governança e transparência, estou falando de acesso a instrumentos que podem oferecer opções melhores para reduzir custos”, avaliou.

A combinação entre essas ferramentas, segundo as especialistas, amplia as possibilidades de financiamento do setor, mas exige uma leitura mais qualificada dos riscos da atividade. Nesse processo, crédito, mercado de capitais e seguro rural passam a compor uma mesma discussão sobre a capacidade financeira do produtor e a continuidade da produção diante de perdas climáticas e oscilações de mercado.