4 de February de 2026
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Saldo externo do agro paulista atinge US$ 23 bilhões em 2025

  • 20/ janeiro / 2026

China se consolida como principal mercado do setor

Fonte: Agrolink

Mesmo diante das restrições impostas pelo tarifaço dos Estados Unidos no segundo semestre, o agronegócio paulista encerrou 2025 com superávit comercial de US$ 23,09 bilhões. As exportações do setor totalizaram US$ 28,82 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 5,73 bilhões, segundo levantamento da Diretoria de Pesquisa do Agronegócio (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

No acumulado do ano, o agro respondeu por 40,5% de todas as exportações paulistas, confirmando seu peso estrutural na economia estadual. Já as importações ligadas ao setor representaram 6,6% do total movimentado por São Paulo no comércio exterior.

A liderança da pauta exportadora ficou com o complexo sucroalcooleiro, responsável por 31% das vendas externas do agro paulista, com US$ 8,95 bilhões. Desse total, o açúcar concentrou 93% das receitas, enquanto o etanol respondeu por 7%.

O segmento de carnes ocupou a segunda posição, com participação de 15,4% e embarques de US$ 4,43 bilhões, impulsionados principalmente pela carne bovina, que representou 85% do grupo. Em seguida, os sucos responderam por 10,4% das exportações, somando US$ 2,98 bilhões, praticamente sustentados pelo suco de laranja, com 97,9% do total.

Os produtos florestais movimentaram US$ 2,97 bilhões, o equivalente a 10,3% da pauta, com destaque para a celulose (55,8%) e o papel (35,5%). O complexo soja respondeu por 8% das exportações, alcançando US$ 2,32 bilhões, puxado pela soja em grão (77,9%) e pelo farelo (16,7%). Juntos, esses cinco grupos concentraram 75,1% das vendas externas do agronegócio paulista em 2025.

O café aparece na sequência, com participação de 6,3% e exportações de US$ 1,82 bilhão, compostas majoritariamente por café verde (77%) e café solúvel (19,3%).

Na comparação com 2024, a APTA aponta crescimento expressivo nas exportações de café, com alta de 42,1%, seguido pelas carnes, que avançaram 24,2%, e pelo complexo soja, com aumento de 2%. Por outro lado, houve retração no sucroalcooleiro (-28,4%), nos produtos florestais (-5,2%) e nos sucos (-0,7%), refletindo oscilações de preços e volumes.

A China manteve-se como principal destino do agronegócio paulista, absorvendo 23,9% das exportações em 2025. A União Europeia ficou em segundo lugar, com 14,4%, seguida pelos Estados Unidos, com 12,1%. Apesar do impacto do tarifaço iniciado em agosto, as vendas ao mercado norte-americano registraram leve crescimento de 0,6% no ano.

Os dados mostram quedas acentuadas nas exportações para os EUA entre agosto e novembro, com recuos sucessivos de 14,6%, 32,7%, 32,8% e 54,9%, respectivamente. Parte dessa retração foi compensada pela ampliação das vendas para mercados como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.

Em 20 de novembro, o governo norte-americano anunciou a retirada das tarifas para alguns produtos brasileiros. A isenção passou a valer para itens como café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, tomate e carne bovina, conforme informou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

No contexto nacional, São Paulo respondeu por 17% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025, garantindo a segunda colocação no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso, com 17,3%, de acordo com a APTA.