28 de May de 2026
Tecnologia

Parceria traz IA para o agro e transforma análise de risco no seguro rural

  • 28/ maio / 2026

Picsel e Essor apostam em inteligência artificial, dados geoespaciais e análise individualizada por fazenda para ampliar eficiência, personalização e acesso ao seguro rural no Brasil

Por Redação

O avanço da inteligência artificial no agronegócio começa a ganhar escala também no mercado de seguro rural. Em meio ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos e aos desafios de proteção financeira no campo, a parceria firmada entre a Picsel e a Essor Seguros reforça uma nova fase da digitalização do agro, baseada em dados, georreferenciamento e modelos analíticos capazes de transformar a avaliação de risco agrícola no país.

A Picsel, empresa brasileira especializada em análise de risco agrícola e inteligência de dados aplicada ao agronegócio, firmou acordo comercial com a Essor Seguros, segunda maior seguradora agrícola do Brasil, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A iniciativa permitirá que a seguradora utilize modelos analíticos baseados em inteligência artificial e a base de dados da empresa para apoiar a avaliação de risco em análises realizadas no nível de cada propriedade rural.

O movimento ocorre em um momento considerado crítico para o mercado de seguro rural. Atualmente, o Brasil cultiva cerca de 97 milhões de hectares, mas apenas aproximadamente 2,3 milhões contam com seguro rural subvencionado, o equivalente a cerca de 2,3% da área plantada, segundo estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Na prática, isso significa que aproximadamente 95% da área agrícola brasileira pode encerrar o ano sem cobertura contra perdas climáticas, justamente em um cenário marcado pelo aumento de secas, excesso de chuvas e ondas de calor. Segundo as empresas, a incorporação de inteligência artificial ao seguro rural surge como uma alternativa para reduzir assimetrias de informação, aumentar a precisão da subscrição e tornar os produtos mais aderentes à realidade de cada produtor.

A tecnologia desenvolvida pela Picsel integra dados geoespaciais, históricos de produtividade, variáveis climáticas e algoritmos proprietários baseados em inteligência artificial para avaliar o risco produtivo e climático de cada fazenda. Essas informações são conectadas diretamente aos sistemas da seguradora por meio de APIs, permitindo que a Essor utilize a inteligência analítica dentro da própria plataforma de subscrição.

“Historicamente, o seguro agrícola no Brasil se baseou em médias municipais que muitas vezes não refletem a realidade de cada propriedade. Quando analisamos o risco em nível de fazenda, conseguimos capturar diferenças relevantes de clima, solo e histórico produtivo, o que permite estruturar produtos muito mais aderentes ao perfil de cada produtor”, afirma Vitor Ozaki, CEO da Picsel.

Com o uso de inteligência artificial, o modelo passa a analisar cada proposta de seguro a partir das características específicas da área produtiva, ampliando a granularidade das informações e permitindo avaliações mais individualizadas sobre produtividade segurada, comportamento climático e potencial de perdas.

Além de aumentar a precisão da análise de risco, a tecnologia também busca reduzir custos operacionais e ampliar a competitividade do mercado segurador agrícola.

O avanço da IA no agro acontece em um contexto de forte pressão sobre o seguro rural brasileiro. Nos últimos anos, o setor enfrentou aumento nas indenizações decorrentes de eventos climáticos extremos, redução dos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e dificuldades para ampliar o acesso às apólices.

Para o mercado, a utilização de inteligência artificial, imagens de satélite e grandes bases históricas de dados tende a se consolidar como um dos principais caminhos para tornar o seguro rural mais eficiente, escalável e sustentável. “Para que o seguro rural evolua no Brasil, é fundamental incorporar tecnologias que permitam entender melhor o risco agrícola. Ao integrar a inteligência de dados aos nossos processos, conseguimos aprimorar a avaliação das propostas e oferecer produtos mais alinhados à realidade de cada produtor e de cada região”, afirma Raúl González, Head Agriculture Brazil da Essor Seguros.

A tecnologia já está em operação inicial e deve ganhar escala a partir da safra de soja que começa na segunda quinzena de abril em diversas regiões do país. Na avaliação do setor, a combinação entre inteligência artificial, análise geoespacial e modelagem climática pode desempenhar papel estratégico na expansão do seguro rural brasileiro, especialmente diante da necessidade crescente de gestão de riscos no agronegócio.

Com milhões de hectares ainda sem proteção financeira contra perdas climáticas, empresas apostam que soluções baseadas em IA e análise avançada de dados terão papel central no fortalecimento da sustentabilidade econômica do agro brasileiro no longo prazo.