Lula e Flávio Bolsonaro disputam segundo turno com propostas distintas para seguro rural, crédito e produção no campo
- 5/ outubro / 2026
Candidatos incluem o agro nos planos de governo com medidas para seguro rural, financiamento, armazenagem, agricultura familiar, regularização fundiária e sustentabilidade; segundo turno será realizado em 25 de outubro
Por Redação
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 com propostas que colocam o agronegócio entre os setores estratégicos de seus programas de governo. Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, com base nos documentos protocolados pelas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dois candidatos defendem o fortalecimento do seguro rural, mas apresentam prioridades diferentes para crédito, produção, infraestrutura, agricultura familiar e políticas fundiárias.
Com 99,45% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 47,14% dos votos válidos, pouco mais de 55,9 milhões de votos. Lula aparece com 45,03%, equivalente a 53,4 milhões de votos. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro.
Responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e com forte representação no Congresso Nacional, o agro aparece nos programas dos dois candidatos com propostas que envolvem desde instrumentos de proteção financeira até expansão da armazenagem, financiamento da produção e políticas ambientais.
No programa de Flávio Bolsonaro, uma das propostas é ampliar a política de seguro rural. O candidato também prevê ferramentas de securitização e mecanismos para reorganização das dívidas dos produtores rurais.
A infraestrutura de armazenagem é outro ponto do plano. Bolsonaro propõe ampliar a capacidade de armazenamento das safras brasileiras com o objetivo de permitir melhores condições de comercialização e preços para o produtor. Na área de insumos, o candidato defende apoio à produção nacional de fertilizantes, com aproveitamento das reservas minerais existentes no país.
O programa também coloca a segurança jurídica no campo entre as prioridades. Bolsonaro promete fortalecer o direito de propriedade, sem o que classifica como sua relativização, além de retomar políticas de titulação de terras e regularização de propriedades rurais, especialmente para pequenos agricultores. Na infraestrutura produtiva, a proposta prevê ampliar a área irrigada no Brasil.
O plano inclui ainda a implantação das metas de adoção de combustíveis sustentáveis de aviação, incentivos à produção de biomassa dentro do Plano Safra, consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e estímulo ao pagamento por serviços ambientais.
O programa de Luiz Inácio Lula da Silva também prevê fortalecer a política de seguro rural. A proposta é integrar o seguro a outros instrumentos de comercialização e de proteção financeira para o setor.
O tema ganha relevância diante das críticas enfrentadas pela política de seguro rural durante boa parte do atual mandato, principalmente em relação à disponibilidade e execução dos recursos destinados ao setor.
No financiamento do agronegócio, Lula promete ampliar os recursos do Plano Safra, oferecer juros considerados compatíveis com a atividade e diversificar as fontes de financiamento.
Para o segmento exportador, a proposta é agregar valor à pauta brasileira de comércio exterior e desenvolver políticas que aproximem ciência e capacidade produtiva.
A agricultura familiar ocupa espaço específico no programa. Lula propõe expandir o Plano Safra da Agricultura Familiar, “com juros compatíveis ao perfil do agricultor e ao tipo de produto”. O plano prevê ainda reforçar o crédito destinado à agroecologia, produção orgânica e sociobiodiversidade.
Na agenda fundiária, o candidato à reeleição defende avançar na reforma agrária e na política de regularização fundiária, além da demarcação de territórios indígenas e de remanescentes de quilombos. O programa também prevê ampliar o acesso à infraestrutura nessas áreas, incluindo água, saneamento e energia.
Embora partam de prioridades diferentes, os dois programas colocam o seguro rural entre os instrumentos que precisam ser fortalecidos. Flávio Bolsonaro associa a expansão da política à securitização e à reorganização das dívidas dos produtores. Lula propõe aproximar o seguro de outros mecanismos de comercialização e proteção financeira.
Com o segundo turno definido para 25 de outubro, as propostas para o agro passam a fazer parte da disputa entre os dois candidatos em um momento em que produtores enfrentam desafios relacionados ao crédito, endividamento, infraestrutura e proteção da atividade rural.
Fonte: Globo Rural