Incêndios em máquinas agrícolas: projeto busca tecnologias para evitar perdas e interrupções na colheita
- 14/ outubro / 2026
Iniciativa da Sompo e da HOTMILK procura soluções com sensores, inteligência artificial e monitoramento em tempo real para identificar falhas antes que provoquem incêndios, inicialmente em colhedoras de cana-de-açúcar
Por Redação
Um incêndio em uma máquina agrícola pode representar para o produtor rural a perda de um equipamento de alto valor, a interrupção da colheita e prejuízos que comprometem o planejamento da safra. Para reduzir essa exposição, novas tecnologias de monitoramento e identificação antecipada de falhas estão sendo buscadas por meio de um projeto voltado à prevenção de incêndios, inicialmente em colhedoras de cana-de-açúcar.
A Sompo, subsidiária da empresa responsável pelas operações de seguro e resseguro do Grupo Sompo Holdings fora do Japão, e a HOTMILK, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), lançaram o Desafio de Inovação Aberta para Prevenção Inteligente de Incêndios em Máquinas Agrícolas.
O programa pretende identificar soluções desenvolvidas por startups, empresas de tecnologia e especialistas em inovação que possam ajudar produtores e cooperativas a antecipar situações de risco durante a operação dos equipamentos.
O foco está no desenvolvimento de sistemas capazes de reunir informações de diferentes sensores, interpretar sinais de falhas e emitir alertas antes que um problema evolua para um incêndio.
A proposta considera um desafio enfrentado pelas propriedades rurais: além dos danos materiais, um sinistro envolvendo máquinas pode paralisar atividades em períodos importantes da safra, afetar a produtividade e gerar perdas financeiras para produtores, cooperativas e outros participantes da cadeia agropecuária.
Embora já existam tecnologias para acompanhar o funcionamento de equipamentos agrícolas, o projeto busca integrar essas informações em uma solução capaz de identificar situações de risco de maneira antecipada.
Entre os recursos avaliados estão sensores de temperatura, câmeras térmicas, dispositivos de Internet das Coisas (IoT), sistemas de telemetria, algoritmos de inteligência artificial preditiva, plataformas de gestão operacional e ferramentas de monitoramento em tempo real.
A expectativa é que essas tecnologias permitam acompanhar continuamente condições críticas de funcionamento das máquinas, como superaquecimento, falhas elétricas e outras anomalias que possam indicar a possibilidade de incêndio.
Os sistemas também deverão cruzar dados provenientes de diferentes sensores e equipamentos, emitir alertas que permitam a adoção de medidas preventivas e manter registros históricos para aperfeiçoar as análises e os mecanismos de prevenção.
Para o produtor rural, a aplicação dessas soluções poderá representar maior capacidade de identificar problemas antes da ocorrência de um sinistro, reduzindo a possibilidade de danos ao patrimônio e de paralisações durante a colheita.
“A prevenção é um dos pilares da gestão de riscos e o uso inteligente de tecnologia representa uma oportunidade importante para ampliar a proteção de equipamentos e operações. Buscamos soluções que nos ajudem a antecipar eventos, minimizar impactos e contribuir para que produtores rurais tenham mais segurança e continuidade em suas atividades”, destaca Adailton Dias, Diretor Executivo de Subscrição, Gerenciamento de Riscos e Resseguros da Sompo.
A iniciativa também está relacionada ao gerenciamento de riscos no mercado segurador. A prevenção de incêndios pode contribuir para reduzir a frequência e a gravidade dos sinistros envolvendo máquinas agrícolas seguradas, além de melhorar o conhecimento sobre as condições operacionais dos equipamentos.
A Sompo já oferece consultoria e suporte em gerenciamento de riscos nos segmentos de seguros de Transporte, Propriedades e Máquinas e Equipamentos Agrícolas. Com o projeto, pretende ampliar o uso de ferramentas tecnológicas nos serviços oferecidos aos segurados.
“A transformação digital tem ampliado nossa capacidade de compreender riscos e criar soluções cada vez mais aderentes às necessidades dos clientes. Com este desafio, queremos aproximar o ecossistema de inovação de uma demanda concreta do agronegócio brasileiro, estimulando o desenvolvimento de tecnologias capazes de gerar mais previsibilidade, eficiência operacional e proteção para toda a cadeia produtiva”, afirma José Ricardo Paulino, Diretor de Estratégia, Inovação e Transformação da Sompo.
Soluções poderão ser testadas em condições reais de operação
O desafio será desenvolvido em etapas que incluem inscrição, triagem das propostas, avaliação técnica, seleção de finalistas e apresentações dos projetos em formato pitch.
As iniciativas selecionadas poderão avançar para uma Prova de Conceito (PoC), etapa destinada a testar e validar as tecnologias em condições reais de operação. Durante os testes, serão avaliados indicadores como capacidade de antecipar situações de risco, precisão dos alertas, estabilidade das soluções e potencial de geração de resultados para as operações agrícolas.
A avaliação também deverá considerar a capacidade dos sistemas de acompanhar continuamente o funcionamento das máquinas, identificar anomalias e fornecer informações úteis para que os responsáveis pela operação adotem medidas preventivas em tempo hábil.
“A inovação aberta ganha força quando empresas apresentam desafios reais e o ecossistema consegue mobilizar diferentes competências para encontrar respostas. Neste desafio, nosso papel é conectar a Sompo a soluções, tecnologias e empreendedores capazes de atuar de forma prática na prevenção de incêndios em máquinas agrícolas, transformando uma demanda concreta do agronegócio em oportunidade de inovação e geração de valor”, afirma Marcelo Moura, diretor da HOTMILK.
Entre os resultados esperados estão a redução da ocorrência e da severidade dos incêndios, a diminuição das perdas financeiras associadas aos sinistros, o aumento da disponibilidade das máquinas e a melhoria da previsibilidade operacional.
O projeto também poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias de gerenciamento de riscos baseadas em informações coletadas diretamente dos equipamentos, permitindo identificar vulnerabilidades e aprimorar procedimentos de prevenção.
A Sompo vem investindo no fortalecimento de suas capacidades técnicas de gerenciamento de riscos e na aplicação de tecnologias para reduzir perdas e apoiar a continuidade das operações de seus clientes.
Para o produtor rural, o avanço dessas ferramentas poderá acrescentar uma alternativa de prevenção à gestão de máquinas e equipamentos agrícolas. A efetividade das soluções, entretanto, ainda dependerá dos resultados obtidos durante os testes e da capacidade de aplicação das tecnologias nas condições reais de trabalho no campo.