El Niño ameaça produtividade da soja na safra 2026/27, aponta estudo da MeteoIA
- 16/ outubro / 2026
Projeções indicam déficit hídrico no Centro-Oeste e Nordeste, calor próximo de 3°C acima da média e excesso de chuvas no Sul, com impactos sobre o planejamento dos produtores rurais
Por Redação
O El Niño deverá permanecer entre forte e muito forte durante a primavera de 2026 e o verão de 2027, trazendo riscos distintos para a produção agropecuária brasileira. Segundo estudo da MeteoIA, a combinação de chuvas irregulares, temperaturas elevadas e eventos extremos poderá comprometer o desenvolvimento da soja na safra 2026/27.
O relatório “El Niño e perspectivas climáticas: Ciclo da soja 26/27” identifica maior risco de quebra de safra no Piauí, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, com indicadores entre 50 e 80 em uma escala de risco climático. Na comparação com o período de 2020 a 2025, as projeções apontam agravamento do risco em áreas do Centro-Oeste e Nordeste, enquanto o Sul e partes do Sudeste apresentam redução relativa.
O principal alerta está na disponibilidade de água durante o florescimento da soja, fase decisiva para a produtividade. A MeteoIA prevê déficit hídrico associado à redução das chuvas no Centro-Oeste, norte de São Paulo e regiões Norte e Nordeste.
A partir de outubro de 2026, o Centro-Norte do país deverá registrar precipitações abaixo da média, cenário que pode limitar a disponibilidade hídrica nas propriedades. A tendência de redução das chuvas permanece até o início de 2027, embora com leve atenuação em janeiro e fevereiro.
O calor também preocupa. Novembro de 2026 aparece como o mês potencialmente mais crítico, com temperaturas próximas de 3°C acima da média em diversas regiões. Entre setembro e novembro, a probabilidade de temperaturas superiores a 40°C ultrapassa 50% em grande parte de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no interior do Nordeste.
Para os produtores, a combinação de calor e escassez de chuva pode elevar a demanda hídrica das lavouras e aumentar o risco de perdas de produtividade. O cenário exige atenção ao calendário de plantio, à disponibilidade de água e ao acompanhamento das condições climáticas durante o desenvolvimento das culturas.
Chuvas intensas e ventos ampliam riscos no Sul
Enquanto o Centro-Norte enfrenta perspectivas de estiagem, a região Sul deverá registrar chuvas acima da média, com acumulados mensais aproximadamente 80 milímetros superiores à média climatológica, principalmente entre novembro e dezembro de 2026.
No norte do Rio Grande do Sul, a probabilidade de precipitações intensas supera 50% entre outubro e dezembro. O estudo também aponta risco de rajadas de vento, com probabilidades entre 30% e 50% em áreas gaúchas durante a primavera.
Essas condições podem dificultar as operações de plantio, especialmente quando os ventos intensos ocorrem sobre solos mais expostos. No Norte do país, a probabilidade de chuvas extremas também supera 50% em algumas áreas durante janeiro e fevereiro de 2027.
As projeções da MeteoIA mostram que os impactos do El Niño não serão uniformes. Para os negócios dos produtores rurais, a diferença entre excesso e falta de chuva influencia decisões sobre plantio, manejo e investimentos na safra.
O estudo reforça a importância de acompanhar as previsões regionalizadas e avaliar os riscos climáticos de cada propriedade. Nesse contexto, o planejamento financeiro e a análise das coberturas do seguro rural ganham relevância diante da possibilidade de perdas decorrentes de eventos extremos.