25 de August de 2026
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Coalizão Brasil inclui seguro rural entre prioridades para enfrentar efeitos de um Super El Niño

  • 25/ agosto / 2026

Rede formada por mais de 400 empresas e organizações defende ampliar a cobertura securitária e combinar proteção financeira, crédito, assistência técnica e adaptação da produção aos extremos climáticos

Por Redação

A possibilidade de ocorrência de um Super El Niño no fim deste ano amplia a preocupação com a exposição da agricultura brasileira aos eventos climáticos extremos e reforça a necessidade de fortalecer o seguro rural como instrumento de proteção financeira do produtor. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defende a ampliação da cobertura securitária entre as medidas necessárias para reduzir os impactos de possíveis perdas e preservar a capacidade de produção nas safras seguintes.

O alerta ocorre em um período estratégico para o campo. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) apontam 95% de probabilidade de o fenômeno ocorrer de forma muito intensa no último trimestre do ano, período que coincide com o início do plantio de diversas culturas no Centro-Oeste, uma das principais regiões produtoras do país.

Para a Coalizão Brasil, rede formada por mais de 400 empresas e organizações da sociedade civil, a preparação da agricultura para secas, excesso de chuvas e outros eventos extremos deve combinar mecanismos de proteção financeira com medidas capazes de reduzir a vulnerabilidade da própria produção. Além do seguro rural, a entidade aponta a necessidade de ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica e avançar na restauração da vegetação nativa.

“Temos defendido que o país precisa avançar em soluções que reduzam os riscos para a produção e deem mais segurança ao produtor diante de um clima cada vez mais instável”, afirma Rodrigo Castro, membro do Conselho Estratégico da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. “Temos conhecimento, tecnologia e instrumentos de política pública para isso, mas é preciso fazer essas soluções chegarem ao campo de forma integrada e ganharem escala.”

Seguro rural reduz impacto financeiro das perdas

Entre as medidas propostas, o fortalecimento do seguro rural atua diretamente sobre a capacidade financeira do produtor de enfrentar uma quebra de safra. A ampliação da cobertura permite transferir parte dos riscos associados aos eventos climáticos e reduzir os efeitos das perdas sobre a continuidade da atividade nos ciclos seguintes.

A preocupação ganha relevância diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade, mas a Coalizão avalia que a política de gestão de riscos precisa ser estruturada para responder a uma exposição climática permanente, sem depender da ocorrência de um fenômeno específico.

“O Super El Niño chama a atenção para um problema que vai além de um fenômeno específico. Precisamos estar mais preparados para eventos extremos, combinando instrumentos de proteção financeira com outros que tornem a própria produção menos vulnerável. O Brasil tem capacidade técnica e científica para transformar esse desafio em avanço estruturante de forma mais permanente, e não apenas em resposta emergencial”, acrescenta Castro, que também é diretor de País da Fundação Solidaridad.

Quatro medidas para reduzir a exposição do produtor

A primeira proposta apresentada pela Coalizão é tornar o seguro rural mais robusto, ampliando seu alcance para reduzir os impactos financeiros provocados por eventos extremos e quebras severas de safra. A proteção contribui para que o produtor mantenha capacidade financeira para continuar a atividade após uma perda.

O segundo ponto envolve o acesso ao crédito para adaptação. A proposta é direcionar financiamento para tecnologias e práticas capazes de diminuir a exposição da produção aos riscos climáticos. Com juros elevados, custos de produção maiores e endividamento de parte dos produtores, a disponibilidade de crédito adequado torna-se determinante para viabilizar investimentos e modernização das propriedades.

A Coalizão também defende o fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), principalmente para pequenos e médios produtores. A ampliação desse atendimento pode facilitar o acesso ao conhecimento, às tecnologias e às políticas públicas e apoiar a adoção de práticas adaptadas às diferentes condições climáticas e produtivas do país.

A quarta medida é acelerar a restauração da vegetação nativa, especialmente em áreas degradadas, além de conservar os remanescentes existentes. A recuperação contribui para a conservação do solo, da água e dos serviços ecossistêmicos dos quais depende a produção agropecuária. A proposta é incorporar esses ativos ambientais à estratégia de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.

Na avaliação da Coalizão Brasil, a combinação dessas medidas permite atuar em duas frentes: reduzir a exposição da produção aos eventos extremos e ampliar a capacidade financeira do produtor para absorver as perdas quando elas ocorrerem. Nesse modelo, o seguro rural integra uma política de gestão de riscos articulada a crédito, assistência técnica e medidas de adaptação da atividade agropecuária.