CNseg leva seguro rural e financiamento climático ao centro da agenda internacional em Londres
- 1/ julho / 2026
Durante a London Climate Action Week 2026, Confederação destacou o papel do seguro na adaptação às mudanças climáticas, promoveu debates sobre financiamento sustentável para o agro e reforçou a necessidade de ampliar a participação do capital privado na transição para uma economia resiliente
Por Redação
O fortalecimento do seguro rural como instrumento estratégico para aumentar a resiliência do agronegócio diante das mudanças climáticas esteve entre os principais temas levados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) à London Climate Action Week 2026, uma das mais relevantes agendas internacionais voltadas à ação climática.
Ao longo da programação, a entidade participou e organizou encontros que reuniram representantes de governos, seguradoras, bancos, investidores, organismos multilaterais e especialistas para discutir mecanismos capazes de ampliar o financiamento climático, reduzir riscos e acelerar a implementação de projetos sustentáveis.
Um dos destaques foi o evento Leadership Dialogues: Scaling Finance and Insurance for Global Impact, promovido pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), em parceria com a CNseg, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O encontro marcou a transição entre a COP30 e a COP31 e concentrou os debates sobre como transformar compromissos climáticos em projetos efetivamente financiáveis.
A principal conclusão dos painéis foi de que o desafio atual não está mais na definição de metas climáticas, mas na estruturação de projetos capazes de atrair investimentos privados, com instrumentos de mitigação de riscos, segurança jurídica e previsibilidade regulatória.
Nesse contexto, o seguro foi apontado como peça fundamental para viabilizar investimentos, especialmente em setores altamente expostos aos efeitos das mudanças climáticas, como o agronegócio.
Durante um dos painéis dedicados ao agro, representantes do mercado discutiram a integração entre seguro, crédito e investimentos como estratégia para ampliar a resiliência da produção agrícola diante da maior frequência de secas, enchentes e ondas de calor. Também foram debatidas soluções voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas, ao financiamento de práticas climáticas inteligentes e ao alinhamento dos fluxos financeiros com uma agricultura de baixo carbono.
A programação da CNseg também incluiu o Fórum de Seguros Brasil-Reino Unido, realizado em parceria com a Associação Britânica de Seguradoras (ABI), além de debates sobre resiliência climática, mecanismos de prevenção, infraestrutura resiliente, precificação baseada em risco e adaptação às mudanças do clima.
Representando a Allianz Brasil, patrocinadora da missão organizada pela CNseg, o presidente Eduard Folch destacou que o intercâmbio internacional amplia a capacidade do setor de desenvolver soluções para uma economia mais resiliente.
“Os desafios do Brasil são significativos, mas o país também reúne oportunidades únicas em infraestrutura, transição energética e agronegócio. Ao mesmo tempo, o intercâmbio com líderes empresariais, investidores, reguladores e especialistas internacionais permite acelerar a adoção de soluções inovadoras e de modelos mais modernos de gestão de riscos climáticos”, afirmou.
Além das discussões voltadas ao setor segurador, o encontro abordou mecanismos financeiros para ampliar a mobilização de capital privado. Representantes da Global Financial Alliance for Net Zero (GFANZ), Principles for Responsible Investment (PRI), IDB Invest, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BlackRock, BBVA e outras instituições defenderam a expansão de modelos de blended finance, capazes de distribuir riscos entre investidores públicos e privados e aumentar a atratividade de projetos sustentáveis.
A experiência brasileira também ganhou espaço durante os debates. O BNDES apresentou a Plataforma Brasileira de Investimentos (BIP), coordenada pelo Ministério da Fazenda, que reúne projetos voltados à infraestrutura e à transição energética. Outro destaque foi o programa EcoInvest Brasil, apontado como uma das principais iniciativas para ampliar a participação do capital privado em investimentos sustentáveis por meio de mecanismos de compartilhamento de riscos.
Outro tema que ganhou relevância foi a biodiversidade como componente da agenda financeira. Especialistas ressaltaram que soluções baseadas na natureza representam parcela significativa das ações necessárias para enfrentar as mudanças climáticas, embora ainda recebam participação reduzida dos recursos destinados ao financiamento climático global.
Ao longo da programação, a avaliação predominante foi de que o setor financeiro e o mercado segurador passam a assumir papel cada vez mais estratégico na adaptação climática. Mais do que indenizar perdas após eventos extremos, o seguro é visto como instrumento capaz de reduzir riscos, estimular investimentos, ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a segurança econômica de projetos voltados à transição para uma economia de baixo carbono.
Com a agenda realizada em Londres, a CNseg reforçou o posicionamento do mercado segurador brasileiro nas discussões internacionais sobre clima e financiamento sustentável, levando ao centro dos debates temas como seguro rural, gestão de riscos, resiliência climática e mobilização de capital para apoiar a transformação do agronegócio e da economia global.