18 de January de 2026
Estudos

As mudanças climáticas se intensificam e ampliam as perdas das seguradoras

  • 15/ janeiro / 2026

As perdas seguradas voltaram a superar a marca de US$ 100 bilhões, enquanto as perdas globais totais ficaram abaixo da média dos últimos dez anos

Por Redação

Desastres naturais causaram perdas significativas em todo o mundo em 2025, segundo levantamento da Munich Re. No total, os danos chegaram a aproximadamente US$ 224 bilhões, dos quais cerca de US$ 108 bilhões foram cobertos por seguros. Com isso, 2025 se soma a uma lista crescente de anos em que as perdas seguradas superaram a marca de US$ 100 bilhões, apesar da redução em relação ao ano anterior. Em 2024, as perdas totais ajustadas pela inflação somaram US$ 368 bilhões, sendo US$ 147 bilhões segurados. Os eventos climáticos responderam por 92% das perdas totais de 2025 e por 97% das perdas seguradas.

“O ano começou de forma difícil, com perdas muito elevadas causadas pelos incêndios florestais em Los Angeles. Por pura sorte, os Estados Unidos foram poupados de impactos diretos de furacões em 2025. Ainda assim, o país lidera as estatísticas de perdas, devido à tendência crescente de danos expressivos provocados por riscos não associados a eventos de pico”, comentou Thomas Blunck, membro do Conselho de Administração da Munich Re.

O cenário geral foi preocupante em relação a enchentes, tempestades convectivas severas e incêndios florestais em 2025. Esses riscos não associados a eventos de pico vêm apresentando impacto crescente no longo prazo e, no ano passado, geraram perdas totais de US$ 166 bilhões, dos quais cerca de US$ 98 bilhões foram segurados. A destruição causada por esses eventos superou as médias ajustadas pela inflação dos últimos dez e trinta anos (perdas totais: US$ 136 bilhões / US$ 90 bilhões; perdas seguradas: US$ 60 bilhões / US$ 33 bilhões). A comunidade científica concorda, em grande parte, que esses desastres naturais estão se tornando mais severos e mais frequentes em diversas regiões do mundo.

No total, as perdas globais com desastres naturais em 2025 ficaram abaixo da média ajustada pela inflação dos últimos dez anos (US$ 266 bilhões). As perdas seguradas ficaram em linha com a média ajustada pela inflação dos últimos dez anos, de US$ 107 bilhões. Tanto as perdas totais quanto as perdas seguradas em 2025 superaram de forma significativa as médias ajustadas pela inflação dos últimos trinta anos.

As perdas não seguradas representaram cerca de 50% do total, percentual inferior à média de dez anos, de aproximadamente 60%, devido à elevada participação de perdas seguradas associadas aos incêndios florestais em Los Angeles. Desconsiderando esse evento, a lacuna de seguros ficou alinhada à média histórica de dez anos. “Precisamos ser realistas: adaptar-se a esses riscos é essencial. Em linha com nossa nova estratégia plurianual Ambition 2030, a Munich Re está pronta para mobilizar sua expertise e solidez financeira para assumir ainda mais riscos de desastres naturais e fortalecer a rede de proteção do setor de seguros para a economia global”, complementou Thomas Blunck.

Ainda sobre os desastres naturais de 2025, chama a atenção o número de eventos extremos potencialmente influenciados pelas mudanças climáticas. Esse foi o caso dos incêndios florestais em Los Angeles, de vários furacões particularmente intensos no Atlântico Norte e de muitas enchentes catastróficas. Diversos estudos indicam que as mudanças climáticas aumentam a frequência ou a intensidade dos desastres climáticos, ou ambos.

“Um mundo mais quente torna os eventos climáticos extremos mais prováveis. Como 2025 foi mais um ano muito quente, os últimos doze anos figuram entre os mais quentes já registrados. Os sinais de alerta persistem e, nas condições atuais, as mudanças climáticas podem se agravar ainda mais”, afirma Tobias Grimm, climatologista-chefe da Munich Re.