Ampliar o seguro rural é proteger o futuro do agro brasileiro
- 25/ julho / 2025
O agronegócio enfrenta a força crescente das mudanças climáticas com baixa proteção, e a democratização do acesso ao mercado de seguros é estratégica para a sobrevivência dos produtores
Por Amauri Vasconcelos*
O agronegócio é uma das principais engrenagens da economia brasileira, responsável por quase um quarto do PIB e cerca de metade das exportações do país. Ainda assim, como uma indústria a céu aberto, enfrenta um desafio estrutural: a baixa penetração do seguro rural. Atualmente, apenas 14% da área agrícola nacional conta com algum tipo de proteção securitária, o que deixa a maioria dos produtores exposta a riscos climáticos crescentes, com impactos que extrapolam a porteira.
Secas prolongadas, geadas inesperadas e excesso de chuvas se tornaram mais frequentes e severos. Segundo o IBGE, O PIB da agropecuária registrou retração de 3,2% em 2023, a maior desde 2016, puxada pelos efeitos climáticos. A consequência direta é a perda de produção, queda de renda e o endividamento de pequenos e médios produtores. Esse ciclo impacta o abastecimento interno, a geração de empregos e a arrecadação de municípios com forte dependência do agro, como Sorriso (MT), que ainda sente os efeitos da seca de 2024.
A cobertura de seguros no campo não é apenas proteção individual, mas uma estratégia de desenvolvimento econômico e social. O caminho para avançar passa pela ampliação do acesso, tanto no custo quanto na informação.
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do governo federal, tem papel essencial ao reduzir parte do valor das apólices e precisa ser fortalecido. E o orçamento destinado à subvenção deve acompanhar o crescimento da demanda, garantindo que mais produtores tenham acesso à proteção.
Além do subsídio, é fundamental simplificar produtos e incorporar tecnologias que permitam uma precificação mais justa e adequada às realidades regionais. O uso de dados climáticos, sensoriamento remoto e inteligência artificial já possibilita o desenho de coberturas personalizadas. Os investimentos em inovação são vitais para a sustentabilidade do setor segurador, que precisa operar com modelos de risco mais sofisticados, portfólios diversificados e visão de longo prazo.
Outra questão é a educação financeira no campo. Muitos produtores ainda desconhecem os benefícios do seguro rural ou têm dúvidas sobre o seu funcionamento. Muitas vezes o seguro é visto como custo, não como investimento, portando é preciso ampliar ações de orientação, com linguagem acessível e adequada ao público rural — uma responsabilidade compartilhada entre seguradoras, cooperativas, entidades de classe e governo.
Construir um mercado de seguros rurais mais robusto é um esforço coletivo. Mais do que garantir proteção ao produtor, trata-se de uma escolha estratégica para o país. Proteger o campo é preservar empresas, garantir alimento à população e sustentar a saúde da economia brasileira.

Amauri Vasconcelos é CEO da Brasilseg, uma empresa da BB Seguros. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Ceará, com pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas pela FEA-USP e em Finanças pela FGV, além de MBA pelo Insper.