21 de October de 2026
Estudos

El Niño, custos de produção e preços agrícolas desafiam planejamento da safra 2026/27, aponta Itaú BBA

  • 21/ outubro / 2026

Relatório de outubro destaca irregularidade das chuvas, risco para o milho safrinha e pressão sobre fertilizantes; cenário reforça a importância da gestão de riscos e do seguro agrícola

Por Tany Souza

O avanço do El Niño, a irregularidade das chuvas e as oscilações nos preços das commodities exigem atenção dos produtores rurais na safra 2026/27. Segundo o relatório Agro Mensal de Outubro de 2026, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o retorno das precipitações favoreceu o plantio da soja, mas os contrastes climáticos entre as regiões brasileiras ainda podem comprometer o calendário agrícola e a rentabilidade das propriedades.

No Centro-Oeste, as chuvas começaram a retornar entre o fim de setembro e o início de outubro, permitindo a recuperação gradual da umidade do solo. Entretanto, a distribuição permanece irregular. No Sul, o excesso de precipitações já dificulta operações de campo em algumas localidades, enquanto no Matopiba o início mais lento das chuvas exige cautela dos produtores.

O principal alerta do banco está na relação entre o plantio da soja e a janela do milho segunda safra. Eventuais atrasos na semeadura ou uma redução antecipada das chuvas no próximo outono poderão aumentar a exposição climática do cereal.

O relatório apresenta projeção de 186 milhões de toneladas para a produção brasileira de soja na safra 2026/27, conforme estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As exportações são estimadas em 118 milhões de toneladas.

Até 9 de outubro, o plantio brasileiro havia alcançado 15,6% da área prevista, acima dos 11,1% registrados no mesmo período de 2025. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontou avanço da semeadura de 10,2% para 33,3% em uma semana.

No mercado, a soja em Sorriso (MT) apresentou preço médio de R$ 142 por saca em setembro de 2026, valorização de 9,6% em relação a agosto. A demanda chinesa e as exportações brasileiras contribuíram para sustentar as cotações.

O milho também registrou valorização em setembro, com média de R$ 54 por saca em Sorriso, alta mensal de 14%. Entretanto, o Itaú BBA alerta para a maior concorrência internacional, após a revisão das estimativas de produção e estoques norte-americanos.

Fertilizantes pressionam custos da safra

Além do clima e dos preços de comercialização, os insumos continuam influenciando as margens dos produtores.

Segundo o Itaú BBA, a ureia foi negociada a US$ 470 por tonelada nos portos brasileiros em outubro, alta de 3% em relação ao início de setembro. O movimento reflete, entre outros fatores, os riscos geopolíticos e logísticos associados ao conflito no Oriente Médio. O fosfato monoamônico (MAP) foi cotado a US$ 830 por tonelada, enquanto o cloreto de potássio (KCl) recuou para US$ 355 por tonelada.

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil importou 28,5 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 15,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Embora o relatório não apresente projeções específicas para o mercado segurador, os riscos identificados pelo Itaú BBA são relevantes para a contratação e a avaliação das coberturas agrícolas.

A irregularidade das chuvas, os possíveis atrasos no calendário da soja e a exposição do milho safrinha podem influenciar a produtividade e a capacidade de pagamento dos produtores. Ao mesmo tempo, a pressão sobre os custos de produção amplia os valores investidos que precisam ser considerados na gestão de riscos.

Para seguradoras e corretores, o cenário reforça a necessidade de avaliar as particularidades regionais, as culturas seguradas, as janelas de plantio e as condições contratuais. Para o produtor, é importante verificar se as coberturas contratadas correspondem aos riscos efetivamente enfrentados pela propriedade.

A análise do Itaú BBA indica que a safra 2026/27 reúne perspectivas de produção elevada, mas também incertezas climáticas e comerciais. Nesse ambiente, o planejamento financeiro e a contratação adequada do seguro agrícola podem contribuir para reduzir os impactos de eventuais perdas sobre a continuidade dos negócios rurais.