21 de September de 2026
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Da poda à erradicação: Allianz explica em entrevista exclusiva como o seguro Cafezal protege a lavoura

  • 21/ setembro / 2026

Produto cobre danos causados por geada e granizo, pode indenizar até 100% do valor segurado da planta e prevê proteção adicional para perdas na produção futura

Por Tany Souza

Diante de uma cafeicultura cada vez mais exposta aos riscos climáticos, a Allianz Seguros ampliou sua carteira Rural com o Cafezal, produto desenvolvido para proteger não apenas a produção, mas a própria planta e sua capacidade de recuperação após eventos como geada e granizo. Em entrevista exclusiva ao Seguro Rural Brasil, Rafael Marani, diretor de Agronegócios da Allianz Seguros, detalha como são calculadas as indenizações, os critérios utilizados na regulação dos sinistros, a cobertura para perda de produção futura, o acesso à subvenção e os fatores que influenciam o preço da apólice. O executivo também explica como tecnologia e análise de riscos socioambientais entram na contratação e quais são os próximos passos da seguradora para ampliar a proteção da cafeicultura brasileira.

Na entrevista a seguir, Rafael Marani detalha as coberturas, os critérios de indenização e os diferenciais do seguro Cafezal. Confira:

Rafael Marani, diretor de Agronegócios da Allianz Seguros – Crédito: Arnaldo Kikuti

O Cafezal protege a vida da planta, e não apenas a produção da safra. Como a Allianz calcula o valor dessaperda quando uma geada ou granizo exige poda severa ou até a erradicação dos pés? Quais critérios técnicos determinam o valor da indenização?

O valor segurado é definido pelo próprio produtor no momento da contratação e serve como referência para o cálculo da indenização. A determinação do valor da indenização está diretamente relacionada ao manejo necessário para restaurar ou minimizar os danos sofridos pela lavoura, podendo envolver tratamento fitossanitário, poda ou erradicação (arranquio) das plantas afetadas. A avaliação dos prejuízos considera a intensidade dos danos causados às plantas e o tipo de manejo técnico necessário para sua recuperação. Em situações de menor severidade, pode ser indicado apenas um tratamento fitossanitário. Quando os danos são moderados, pode ser necessária a realização de podas. Já nos casos em que não há viabilidade de recuperação da planta, é recomendada a erradicação. Dessa forma, o segurado recebe uma indenização proporcional ao manejo que precisará ser realizado, podendo alcançar até100% do valor segurado da planta nos casos em que seja necessário o arranquio definitivo.

Quem determina se o cafezal atingido precisa passar por poda ou erradicação e como funciona a perícia após o sinistro? Existe um prazo médio entre a comunicação da perda, a vistoria e o pagamento da indenização ao produtor?

Em caso de abertura de sinistro, após o recebimento do aviso pela Allianz, o prazo para que o prestador entre em contato com o segurado ou corretor é de até 48 horas. Todo o processo de regulação é realizado por empresas especializadas e terceirizadas, que contam com peritos engenheiros agrônomos com conhecimento técnico específico na cultura segurada, garantindo uma avaliação qualificada e adequada às particularidades de cada lavoura. Já a vistoria é realizada, em média, dentro de 5 dias, permitindo uma análise ágil dos danos e das medidas necessárias para a regulação. Após a conclusão da análise e o recebimento de toda a documentação exigida, o pagamento da indenização é efetuado em até 30 dias, contados da entrega do último documento necessário para a liquidação do processo.

A cobertura de Perda de Produção Futura chama atenção porque os efeitos de um evento severo podem comprometer mais de uma safra. Por quantos ciclos produtivos essa cobertura pode considerar as perdas e como é estimada a produção que o cafeicultor deixará de colher?

A cobertura de Perda de Produção Futura (PPF) tem como objetivo indenizar os prejuízos causados à lavoura segurada que resultem em redução ou atraso da produção no ciclo agrícola subsequente, em decorrência de danos às plantas. A indenização dessa cobertura, portanto, não é calculada com base na quantidade de café que o produtor deixará de colher, mas sobre um valor previamente atribuído à planta segurada no momento da contratação. No caso da Allianz, a cobertura prevê o pagamento de 75% do valor segurado da planta, proporcionando ao produtor recursos financeiros para enfrentar os impactos da perda de produtividade futura. O valor indenizado pode ser utilizado da forma que o produtor considerar mais adequada, seja para a recuperação da lavoura, a manutenção da atividade ou a compensação dos prejuízos decorrentes da redução da produção futura, funcionando de maneira semelhante a uma compensação pelas perdas econômicas geradas pelo dano ao cafezal.

A Allianz afirma que o produto foi pensado especialmente para pequenos e médios produtores e agricultores familiares. Na prática, como tornar esse seguro financeiramente acessível para esse público? O Cafezal poderá utilizar subvenção federal ou programas estaduais de subvenção ao prêmio do seguro rural?

A cafeicultura brasileira é caracterizada pela forte presença de pequenos produtores e agricultores familiares.Estima-se que aproximadamente 54% das propriedades cultivem áreas inferiores a 20 hectares, o que reforça a importância de soluções de seguro acessíveis e adequadas à realidade do setor. Pensando nesse perfil, a Allianz desenvolveu o Cafezal com condiçõescomerciais bastante competitivas. A entrega do produto com custo-benefício ajustado reflete o compromisso da companhia em disseminar a cultura do seguro Rural, para que ele seja visto não como uma despesa adicional, mas como um insumo essencial à sustentabilidadee à proteção da atividade agrícola, assim como fertilizantes, defensivos e demais investimentos necessários à produção. O produto é totalmente qualificável para os programas de subvenção federal e estaduais.

O risco de geada e granizo varia significativamente entre regiões, altitude, variedade cultivada e características da propriedade. Esses fatores entram na precificação do Cafezal? O que pode fazer um produtor pagar mais ou menos pelo seguro?

A precificação do seguro considera uma série de fatores técnicos e atuariais, como a localização da propriedade, o histórico da região, as condições climáticas atuais e estudos e projeções climáticas para o ciclo agrícola em questão. Todas essas variáveis são analisadas para determinar o nível de risco e, consequentemente, o valor do seguro. Em cenários em que os estudos climáticos indicam maior probabilidade de eventos adversos, como geadas, seca ou excesso de chuvas, o risco da região aumenta, o que pode resultar em uma revisão das taxas e do preço do seguro. Da mesma forma, quando as projeções climáticas são mais favoráveis, o nível de risco tende a ser menor, permitindo condições mais competitivas para os produtores. Esse modelo de precificação busca fazer com que o valor do seguro reflita as condições de risco de cada região, mantendo equilíbrio, transparência e sustentabilidade para todos os segurados

O produto utiliza imagens de satélite e monitoramento de riscos ESG durante a vigência da apólice. O que exatamente a Allianz acompanha com essas tecnologias e de que forma essas informações interferem na prevenção, na regulação de um eventual sinistro ou na renovação da apólice?

A adoção de práticas alinhadas aos critérios ASG (Ambiental, Social e Governança) é um compromisso da Allianze faz parte dos padrões aplicados a todo o portfólio da companhia, não sendo uma exigência exclusiva do produto Allianz Cafezal. No seguro Rural, esse compromisso se traduz em um rigoroso processo de análise e validação das áreas a serem seguradas. Para isso,são utilizadas ferramentas internas e bases de dados especializadas que permitem avaliar 100% das áreas submetidas à contratação. As verificações incluem, entre outros aspectos, a identificação de possíveis restrições junto a órgãos ambientais, ocorrênciade embargos, histórico relacionado a trabalho análogo ao escravo, sobreposição com terras indígenas, unidades de conservação, sítios arqueológicos e demais áreas sujeitas a restrições socioambientais. Com isso, a Allianz busca manter suas operações alinhadasàs melhores práticas de sustentabilidade e governança, promovendo o crescimento responsável do agronegócio e contribuindo para uma produção cada vez mais sustentável e em conformidade com a legislação vigente.

7. O Cafezal representa uma nova frente dentro da carteira Rural da Allianz. Qual é a expectativa da companhiapara esse mercado em número de produtores, área segurada ou volume de prêmios? A estratégia prevê ampliar futuramente as coberturas para outros riscos relevantes da cafeicultura, como seca, excesso de chuva ou altas temperaturas?

A Allianz está investindo fortemente no desenvolvimento do produto. Mais do que expandir sua atuação, a estratégiaé oferecer ao produtor uma solução cada vez mais completa e aderente às particularidades da cafeicultura. O café possui características específicas que impactam diretamente a produtividade da lavoura, como a bienalidade e a idade das plantas, entre outrosfatores agronômicos. Por isso, a companhia vem empenhando esforços em estudos, levantamento de dados e novas tecnologias para obter informações cada vez mais precisas. O objetivo é promover a evolução contínua do produto e oferecer coberturas cada vez maisadequadas às necessidades dos produtores.