Seguro rural perdeu área protegida e precisa voltar a ganhar força, defende CNA
- 15/ setembro / 2026
Entidade aponta queda de 14 milhões para 3,5 milhões de hectares segurados pelo PSR entre 2021 e 2025 e propõe incentivos financeiros para produtores que adotam práticas de redução de riscos
Por CNA
A ampliação do seguro rural e a criação de incentivos para produtores que adotam boas práticas de produção devem fazer parte de uma estratégia para reduzir os riscos da atividade agropecuária e melhorar as condições de acesso ao crédito. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defendeu o tema durante evento realizado em Brasília.
As propostas foram apresentadas por Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, durante o evento “3 F: Futuro, Finanças e Florestas”, promovido pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) Inovação. No painel “Caminhos de Convergência: Riscos, financiamento e conformidade no agro”, ele abordou a relação entre crédito, seguro e gestão de riscos no campo.
Segundo Lucchi, a evolução da produção agropecuária brasileira está relacionada também à disponibilidade de pesquisa adaptada às condições tropicais e de financiamento para que o produtor possa investir na propriedade. “Nós temos no Brasil um sistema produtivo sustentável e buscamos constantemente o aperfeiçoamento. E isso só é possível porque temos pesquisa voltada para o clima tropical e crédito para ajudar o produtor a se adequar”, disse.
PSR encolheu nos últimos anos
Ao tratar especificamente do seguro rural, Lucchi afirmou que o instrumento é a principal ferramenta de mitigação de riscos e pode contribuir, inclusive, para melhorar o acesso do produtor ao crédito. O diretor, no entanto, chamou atenção para a redução da cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Em 2021, o programa alcançou 14 milhões de hectares segurados. Em 2025, a área caiu para 3,5 milhões de hectares, segundo os dados apresentados pela CNA. “Existe um trabalho muito grande a ser feito dentro do PSR. Acredito que ele precisa ser um estímulo e, depois, o setor vai andar sozinho. Neste momento, o seguro é a política pública que teria maior retorno para o produtor”, afirmou.
A entidade também defende que práticas capazes de diminuir a exposição da produção aos riscos sejam consideradas pelo sistema financeiro. Entre os instrumentos citados está o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) Níveis de Manejo, que incorpora características regionais, culturas e práticas adotadas nas propriedades.
“É uma ferramenta piloto que incorpora, entre outros aspectos, as características regionais, culturas e as boas práticas de produção. O modelo é bom, que começou com o seguro, mas que pode ser usado também para o crédito rural, permitindo melhores condições aos produtores que adotam práticas capazes de mitigar riscos”.
Para Lucchi, produtores que investem em sistemas produtivos menos vulneráveis deveriam receber contrapartidas financeiras, inclusive nas operações de crédito. “Se o produtor tem um conjunto de boas práticas implementadas e um sistema que mitiga riscos, ele precisa ter uma contrapartida também no crédito. Isso serve de estímulo para que outros produtores façam o mesmo”.
Dados podem ajudar a melhorar os seguros
Outro desafio apontado pela CNA é desenvolver produtos de seguro mais ajustados às diferentes atividades, regiões e características das propriedades rurais. Para isso, Lucchi destacou a importância da disponibilidade de dados e informações que permitam ao mercado avaliar melhor os riscos. “Não adianta o produtor contratar um produto que não vai ser bom pra ele. Precisamos melhorar o portifólio”.
A proposta é que a gestão de riscos também seja utilizada como instrumento para reduzir o custo de capital do produtor. Seguro rural, assistência técnica, taxas de juros e prazos de financiamento podem ser combinados para reconhecer quem investe em medidas capazes de diminuir a exposição da atividade. “Algum benefício precisa ser sinalizado, porque essa é a maneira mais rápida de estimular mudanças no processo produtivo. Com estímulos, a gente acelera esse processo e mantém a nossa agricultura como referência internacional em produção e preservação”, concluiu.