8 de September de 2026
Tecnologia

Como o uso de IA, drones e gêmeos digitais na mineração otimiza a transferência de riscos e a contratação de seguros

  • 8/ setembro / 2026

Tecnologia amplia a visibilidade dos controles operacionais, melhora a aceitação do risco no mercado ressegurador e viabiliza coberturas em um setor altamente restrito

Por Redação

O concorrido setor de mineração vive uma acelerada transformação tecnológica. Ferramentas como inteligência artificial (IA), o uso de drones para inspeção das operações a céu aberto (topografia, cavas, áreas de disposição de rejeito), e também operações subterrâneas com realização de mapas 3D sem GPS, gêmeos digitais, sensores acoplados a diversos equipamentos críticos e veículos autônomos operados à distância tornaram-se aliadas fundamentais das operações. Além de aumentar a eficiência e reduzir a exposição humana a ambientes de alta periculosidade, a adoção dessas inovações tornou-se um grande diferencial na gestão e transferência de riscos corporativos.

Apesar do cenário atual de mercado soft em diversos segmentos, a mineração permanece como uma atividade com severas restrições no mercado segurador, enfrentando limitações e até vedações em contratos automáticos de resseguro. Diante desse desafio, que frequentemente exige a busca por capacidades facultativas no mercado local e internacional, a tecnologia surge como uma aliada estratégica.

O mercado avalia a implementação dessas ferramentas de forma extremamente positiva. A adoção de tecnologias como drones para inspeção de estruturas, sensores em tempo real e modelos digitais capazes de simular cenários operacionais oferece ao subscritor uma qualidade e granularidade de informações inéditas. Empresas com gerenciamento ‘on time’ de suas operações garantem maior previsibilidade e demonstram forte capacidade de prevenção e resposta a incidentes, o que atrai um olhar muito mais favorável do mercado segurador, destaca Cristiane Alves, Head de Mineração da Gallagher Brasil.

Atração de capacidade e precificação

A qualidade dos dados gerados por esses sistemas influencia diretamente o processo de subscrição e a precificação do seguro. Na prática, mineradoras que comprovam o uso eficaz dessas tecnologias encontram menor dificuldade para obter as condições, limites e capacidades necessários para a proteção de seus ativos.

No entanto, se por um lado a digitalização fortalece a prevenção de perdas físicas tradicionais, por outro, introduz novas variáveis no radar do mercado. A dependência de sistemas conectados, automação e IA amplia a exposição a riscos cibernéticos, falhas sistêmicas e interrupções operacionais decorrentes de incidentes tecnológicos.

Por essa razão, o mercado segurador expandiu o escopo de análise: além dos riscos físicos e estruturais, passa-se a avaliar com rigor a governança tecnológica, a segurança cibernética e a resiliência dos sistemas digitais.

Essa mudança não significa que as novas tecnologias criem barreiras para a contratação, mas sim que a percepção sobre potenciais interrupções de negócios mudou de acordo com a operacionalização das plantas. A tecnologia está transformando a avaliação de riscos na mineração. Mais do que automatizar, ela fortalece a prevenção de perdas, desde que acompanhada por governança sólida, controle operacional e comprovação efetiva de resultados, conclui Cristiane Alves.