Eventos climáticos extremos se intensificam e seguro agrícola está sob risco iminente
- 23/ julho / 2026
A tendência é que ocorra mais incidência de chuvas na Região Sul e forte estiagem no Sudeste, afetando culturas como a de soja
Por Carlos Pacheco
Impacto do El Niño nos seguros e suas oportunidades foi o tema de encontro promovido pela Mapfre em sua sede na manhã de 22 de julho. O evento trouxe uma análise detida sobre como a intensificação dos eventos climáticos extremos tem reconfigurado a subscrição de riscos e gerado novas demandas nos ramos de Seguros Gerais (Residencial, Empresarial e Rural). Estiveram presentes executivos da companhia, corretores parceiros e a imprensa.
Gabriel Perez, PhD em Ciências Climáticas e co-founder da MeteoIA, fez a palestra de abertura do encontro. Ele detalhou as projeções e o comportamento do El Niño no País. “Nos anos de 2023 e 2024 observamos um planeta em progressivo aquecimento. É um problema crônico”, afirmou Perez. Segundo o especialista, existe uma grande incerteza em face do aquecimento global e seus impactos regionais. A tendência é que ocorra mais incidência de chuvas na Região Sul e forte estiagem no Sudeste.
Perez destacou o fenômeno ENSO (em inglês El Niño-Southern Oscillation). Trata-se de padrão climático cíclico no Oceano Pacífico que afeta o clima de todo o planeta. Em relação aos impactos no seguro agrícola brasileiro, entre 2005 e 2024, o co-funder da MeteoIA alertou para secas severas, geadas e chuvas excessivas e nas principais regiões do país e as graves consequências na economia. No Sul e Sudeste, no biênio 2021-2022, secas combinadas com geadas resultaram em cerca de R$ 10,5 bilhões em indenizações aos produtores de soja, milho e café.
Para 2026/2027, Perez projeta condições de estiagem que ultrapassam a média no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. As chuvas também estarão acima da média no Sul, com acumulados mensais de 90 milímetros igualmente além da média climatológica. Nessa região, vendavais, danos elétricos e alagamentos compõem a tríade de riscos. A produção de soja será bastante afetada. Por fim, nas cinco regiões brasileiras, o especialista fez um alerta: “Os meses mais críticos projetados estarão no período de outubro a dezembro de 2026”.
Tecnologia e risco

Em seguida à palestra de Perez, uma análise técnica em um painel com gerentes especialistas e técnicos da Mapfre, além de uma conversa com foco na visão comercial e de mercado, completaram o encontro. Andrea Nogueira (diretora de seguros massificados), Fabio Damasceno (diretor técnico de seguro rural) e Camila Cyrillo (superintendente de Riscos Industriais Locais e Globais) trocaram ideias com os presentes sobre a atuação da seguradora no mercado.
Ao portal Seguro Rural Brasil, Damasceno ressaltou a preocupação antiga da Mapfre com os eventos climáticos extremos. Segundo o diretor, o uso de tecnologia é a principal arma. “Com a equipe da MeteoIA, estamos utilizando a inteligência artificial, com modelos robustos e uma assertividade bem interessante. Veja que até pouco tempo atrás não tínhamos previsibilidade de dois dias de clima. E agora trabalhamos com previsões de seis, doze e até dezesseis meses”, afirmou.
Damasceno está preocupado com a atual condição econômica dos produtores – boa parte deles prevê resultados negativos no plano safra. Tal cenário pode reduzir a aplicação de tecnologia em insumos, sementes e manejo do solo, o que agravaria o risco. A palavra de ordem é cautela. O diretor destacou o planejamento de dispersão desse risco conduzida por uma equipe técnica competente. “O nosso papel como seguradora é de assumir risco, comprar o risco de uma forma que ele seja administrável. Então, vamos utilizar isso de um modo inteligente”, conclui.