22 de June de 2026
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Seguro rural: proteger o agro é fortalecer o Brasil

  • 22/ junho / 2026

Em um cenário de mudanças climáticas, novas exigências regulatórias e incertezas orçamentárias, o corretor de seguros torna-se peça estratégica para ampliar a proteção ao produtor rural e fortalecer o agronegócio brasileiro

Por Boris Ber*

Quando falamos em seguro rural, estamos falando de muito mais do que uma apólice. Estamos falando da continuidade da produção de alimentos, da estabilidade econômica de milhares de famílias, da geração de empregos e da capacidade do Brasil de manter sua posição entre os maiores produtores agrícolas do mundo.

O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro e exerce papel decisivo na balança comercial. Ao mesmo tempo, é uma atividade que convive diariamente com riscos que fogem completamente ao controle do produtor. Eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes, pragas, incêndios e outros fatores podem comprometer em poucos dias o trabalho de uma safra inteira.

Nesse contexto, o seguro rural deixa de ser apenas uma ferramenta financeira e passa a ser um instrumento de política pública e de desenvolvimento econômico.

Infelizmente, ainda convivemos com um cenário de baixa previsibilidade orçamentária para os programas de subvenção ao prêmio do seguro rural. Essa instabilidade reduz a contratação de apólices, limita o acesso dos produtores à proteção e acaba ampliando a vulnerabilidade do setor justamente em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se intensificam.

As projeções para 2026 mostram que o mercado de seguro rural deverá registrar nova retração, reflexo direto dessa falta de previsibilidade. É um movimento que preocupa todo o setor, pois significa menos produtores protegidos e maior exposição a perdas que poderiam ser mitigadas.

Foi justamente pensando nesse cenário que o Sincor-SP encaminhou ao Governo do Estado de São Paulo uma série de propostas para o aperfeiçoamento do Programa Estadual de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

Recebemos com satisfação a resposta da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que reconheceu a importância das contribuições apresentadas e reafirmou a disposição de manter o diálogo com a nossa entidade. Entre os temas debatidos estão a ampliação do orçamento do programa e a revisão do limite de subvenção por produtor, assuntos que seguem em análise pelo corpo técnico do Estado.

Sabemos que decisões dessa natureza exigem responsabilidade fiscal e equilíbrio entre ampliar a cobertura e atender ao maior número possível de produtores. Ainda assim, é fundamental que esse debate permaneça ativo e que os programas evoluam de acordo com as necessidades do campo.

Outro aspecto que ganha relevância é a evolução regulatória do próprio seguro rural. A incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança nas operações demonstra que sustentabilidade e gestão de riscos caminham juntas. O produtor que investe em boas práticas fortalece não apenas sua atividade, mas também todo o ambiente de negócios.

Nesse cenário cada vez mais complexo, o corretor de seguros torna-se ainda mais indispensável. É ele quem conhece a realidade de cada propriedade, identifica os riscos específicos da atividade, orienta sobre coberturas, acompanha as mudanças regulatórias e auxilia o produtor na escolha da solução mais adequada. Mais do que intermediar uma contratação, o corretor oferece consultoria, planejamento e segurança para decisões que podem definir a continuidade de um negócio.

À medida que o seguro rural incorpora novas exigências técnicas, critérios ESG e produtos mais sofisticados, cresce também a necessidade de orientação especializada. O produtor precisa de um profissional preparado para traduzir essas mudanças e transformar informação em proteção efetiva.

Fortalecer o seguro rural significa fortalecer toda uma cadeia produtiva que abastece o país, movimenta a economia e leva o nome do Brasil ao mercado internacional. E fortalecer o corretor de seguros significa garantir que essa proteção chegue ao produtor com qualidade, responsabilidade e visão de longo prazo.

O seguro rural não deve ser tratado como despesa eventual nem como programa sujeito às oscilações do orçamento. Deve ser entendido como investimento em resiliência, competitividade e desenvolvimento.

*Boris Ber, presidente do Sincor-SP, é corretor de seguros há mais de 40 anos e formado em Administração de Empresas pela PUC-SP. É também vice-presidente Regional Sudeste da Fenacor, presidente do Conselho da Sicoob Credicor-SP, e é membro do Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, Previdência, Capitalização e Resseguros Privados. É apresentador do Programa Seguro (TV Gazeta). Também já foi mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP). Atua e atuou em diversas entidades da comunidade judaica, em destaque foi presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo.