Plano Safra 2026/27 terá foco em seguro rural, redução dos juros e previsibilidade para o produtor
- 17/ junho / 2026
Em meio ao aumento dos eventos climáticos extremos, Ministério da Agricultura coloca o fortalecimento do seguro rural entre as prioridades das negociações do novo Plano Safra
Por Redação
A menos de duas semanas do lançamento do Plano Safra 2026/2027, previsto para 1º de julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) detalhou as prioridades que vêm sendo negociadas com a equipe econômica. Entre elas, estão o fortalecimento do seguro rural, a redução das taxas de juros do crédito agrícola e a garantia de maior previsibilidade na execução dos recursos destinados ao setor.
Durante o VEJA Agro Fórum, realizado nesta terça-feira (16), em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, confirmou que a meta do governo é, no mínimo, repetir os R$ 516 bilhões disponibilizados na safra anterior. Segundo ele, caso esse volume seja mantido, o governo Lula terá mais do que triplicado os recursos destinados ao financiamento agrícola em comparação ao governo Bolsonaro.
Em conversa com jornalistas, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, afirmou que o novo Plano Safra deverá dar atenção especial ao seguro rural, considerado uma ferramenta estratégica diante da crescente frequência dos eventos climáticos extremos.
“Essa é uma visão que tem se intensificado por conta das mudanças climáticas. Se soubéssemos que teríamos aquela catástrofe no RS, qualquer um teria feito seguro. É um processo evolutivo e a participação do seguro rural no orçamento da União precisa, sim, crescer”, disse.
O secretário-executivo comentou ainda que, além da ampliação gradual dos recursos destinados ao seguro rural, outro objetivo do governo é tornar o crédito mais acessível aos produtores por meio da redução das taxas de juros.
Para ele, mais importante do que aumentar o volume total de recursos do Plano Safra é oferecer linhas de financiamento com custos que “caibam no bolso” do produtor rural, além de assegurar que os recursos destinados ao crédito não sofram contingenciamentos. Como exemplo, o secretário citou o programa Move Agro, lançado recentemente durante a Bahia Farm Show, que disponibilizou R$ 14 bilhões para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas com taxa de juros de 9,26% ao ano.
Segundo ele, esse percentual tem servido de referência nas negociações para o novo Plano Safra. Soares reconheceu, no entanto, que as discussões envolvem um cenário fiscal complexo, já que o Ministério da Fazenda precisa equilibrar diversas demandas orçamentárias do governo federal.
“O jogo não é fácil e precisamos entender que há várias contas no âmbito Brasil. Se não conseguirmos esse aumento de 10% para o programa, esperamos pelo menos um incremento em linha com a inflação, algo entre 4,2% e 4,4%, o que já seria muito bom diante do cenário do setor e da atual conjuntura econômica”, afirmou.
O secretário também lembrou que a menor taxa atualmente praticada no Plano Safra empresarial é de 8%, podendo ser reduzida em um ponto percentual para produtores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e que possuam certificações ou comprovem boas práticas agropecuárias. “O maior juro vigente é de 13,5% para o Moderfrota. Em um cenário mais equilibrado e otimista, se conseguirmos reduzir os juros em 2 pontos percentuais, já será um grande ganho para o setor”, disse.
Crédito rural
Questionado sobre as dificuldades relatadas por produtores rurais e pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no acesso às linhas de financiamento, Soares afirmou que o principal problema hoje não é a falta de recursos, mas sim a restrição de crédito provocada pelo elevado endividamento do setor. “O que está acontecendo é falta de crédito, não de recursos ou orçamento. O produtor, seja pessoa física ou jurídica, não tem crédito porque está endividado. Não é o banco que não tem recursos.”
Segundo o secretário, diante do aumento do endividamento no campo, o Projeto de Lei 5.122, que trata da renegociação de aproximadamente R$ 140 bilhões em dívidas rurais e tramita na Câmara dos Deputados após aprovação no Senado, deverá ser um dos principais instrumentos para reequilibrar o setor. “Virá um Plano Safra com um novo endividamento? Precisamos encontrar uma equação. Qual é a equação? Negociar a dívida e, ao mesmo tempo, reduzir a taxa de juros. Isso precisa caminhar junto”.