16 de June de 2026
Seguros

Retorno do El Niño em 2026 exige revisão de coberturas e coloca agronegócio em alerta máximo

  • 16/ junho / 2026

Diante de previsões de um “Super El Niño”, especialista de Alper Seguros alerta que apólices antigas não cobrem os custos reais e destaca o seguro como ferramenta estratégica de governança e proteção do ROI no campo

Por Redação

Os relatórios mais recentes do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmam uma mudança drástica e iminente no cenário climático brasileiro: o fenômeno El Niño está retornando oficialmente no segundo semestre de 2026. Com a transição da La Niña para a neutralidade já consolidada, os modelos meteorológicos apontam para uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno se estabeleça até julho, com temores reais de que o país enfrente um “Super El Niño”, com águas do Oceano Pacífico atingindo até 3°C acima da média.

Os impactos previstos pelo monitoramento oficial do INMET dividem o país em cenários opostos. Enquanto a região Sul deve registrar chuvas acima da média, tempestades severas e granizo na primavera — ameaçando a colheita e o plantio das safras 2026/2027 —, o Norte e o Nordeste enfrentarão secas severas. No Centro-Oeste, a preocupação gira em torno da irregularidade hídrica e do calor extremo, enquanto o Sudeste terá um inverno e primavera consideravelmente mais quentes. 

Para o setor produtivo, a preparação nas próximas semanas será crucial para mitigar danos. Afonso Arinos, especialista em Agronegócios e Diretor de Agro da Alper Seguros — consultoria que gerencia mais de R$ 60 bilhões em patrimônio e protege mais de 2 milhões de hectares —, adverte que o produtor não pode cometer o erro de subestimar o clima atual usando estratégias defasadas. 

“Olhar para uma apólice de ano neutro e achar que ela serve para o ‘Super El Niño’ de 2026 é o equivalente a ir para uma tempestade usando um guarda-chuva bonitinho, mas você vai se molhar inteiro”, afirma Arinos. “O produtor precisa entender que o seguro não é apenas um boleto a mais no final do mês; ele é uma ferramenta crucial de governança e proteção do ROI (Retorno sobre o Investimento).” 

O especialista explica que o limite de indenização das apólices precisa acompanhar a alta dos custos de produção e insumos de 2026. “Se você manteve o limite antigo, no caso de uma quebra severa, a indenização só vai pagar ‘metade do buraco’, tirando a sua capacidade de investir na próxima safra. Revisar as coberturas agora é garantir que, se o clima falhar, o bolso não quebre junto”, destaca o diretor de Agro da Alper. 

Estratégias regionais e o perigo de ignorar a técnica

Diante da “bipolaridade” do El Niño, a Alper Seguros tem direcionado orientações customizadas para cada região produtora:

Para o Sul (Risco de Enchentes e Granizo): A recomendação é o Seguro de Produtividade ou um desenho mais customizado. Como o excesso de chuva e granizo, podem causar perdas se insumos aplicados, danos às plantas e perda de grãos e qualidade, o produtor precisa garantir a proteção dos sacos por hectare esperados.

Para o Norte e Nordeste (Risco de Seca Extrema): O foco se volta para o Seguro Paramétrico ou o Multirisco Estruturado, que protege tanto contra a quebra de safra pela estiagem, altas temperaturas ,e pode der ser contratado com valores de coberturas atualizados, blindando a receita final (Preço × Produtividade). Outro ponto crítico destacado por Arinos é o respeito rigoroso ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Com o clima irregular, muitos produtores cogitam plantar fora das datas recomendadas pelo Ministério da Agricultura e pela Embrapa, o que invalida qualquer proteção financeira.

“Ignorar o ZARC para tentar ‘ganhar tempo’ na chuva irregular é o equivalente agro de saltar de paraquedas sem checar se a mochila está com as cordas presas. Se você plantar um dia após a janela oficial e o El Niño castigar a lavoura, a seguradora tem total amparo legal para recusar a indenização. Em anos climáticos extremos como 2026, a margem para improviso é zero”, alerta Arinos.

Inovação e agilidade contra o tempo

Como alternativa para mitigar os prejuízos de forma rápida, o mercado de seguros tem apostado fortemente no seguro paramétrico, modalidade que funciona através de gatilhos climáticos e dados de satélite, sem a necessidade de vistorias complexas em campo. 

“O seguro paramétrico é o ‘papo reto’ do mercado. Se a apólice diz que o gatilho é ficar 25 dias consecutivos sem chuva na coordenada X e o satélite registrou isso, a indenização é disparada automaticamente na conta do produtor em poucos dias. Para o ‘Super El Niño’, onde o produtor precisa de dinheiro rápido em caixa para mitigar prejuízos imediatos, ele é fantástico”, pontua o especialista. 

A recomendação final para o produtor é a antecipação. Com a confirmação do INMET sobre a severidade do fenômeno, a tendência natural é que as companhias seguradoras aumentem o valor do prêmio (preço da apólice) ou restrinjam a aceitação de riscos em regiões críticas. “Ninguém quer vender seguro contra incêndio com a casa já pegando fogo. A vantagem da antecipação é puramente estratégica: você garante a vaga na janela de aceitação e trava taxas muito mais amigáveis”, conclui Afonso Arinos.