9 de June de 2026
Tecnologia

Insurtech capta R$ 2,5 milhões para ampliar proteção climática e impulsionar o seguro rural no agronegócio

  • 9/ junho / 2026

Com apoio da DOMO.VC, TRAG aposta em inteligência artificial, dados de satélite e seguros paramétricos para ampliar a cobertura de riscos climáticos e levar mais previsibilidade financeira aos produtores rurais

Por Redação

Em um cenário de crescente exposição climática no campo e baixa cobertura de seguro rural, a insurtech TRAG acaba de captar R$ 2,5 milhões em uma nova rodada liderada pela DOMO.VC para acelerar o desenvolvimento de soluções voltadas à proteção financeira do agronegócio brasileiro.

A rodada funciona como extensão do aporte pré-seed de R$ 2 milhões realizado em setembro de 2024, elevando para R$ 4,5 milhões o total captado pela startup. Os recursos serão destinados principalmente à evolução dos modelos de inteligência artificial aplicados à análise de risco agroclimático e à ampliação da distribuição de seguros paramétricos para produtores rurais.

Além da DOMO.VC, participaram da captação a Ventiur, a Anjos do Brasil e investidores-anjo como Renato Farias, cofundador da Azos Seguros, e Mariana Bonora, fundadora e CEO da Sette e diretora da Abfintechs. A rodada também contou com a participação dos investidores do Vale do Silício Barker Carlock e Manuel Parra, executivos com passagens por Meta e Tesla.

Fundada em 2024, em Franca (SP), a TRAG desenvolve soluções voltadas à gestão de riscos climáticos no agronegócio. A empresa combina dados satelitais globais desenvolvidos em programas da NASA com modelos proprietários de inteligência artificial para estruturar seguros paramétricos, modalidade que permite o pagamento automático de indenizações quando indicadores climáticos previamente definidos, como seca, excesso de chuva ou temperaturas extremas, atingem determinados níveis.

A proposta busca transformar a gestão de riscos no campo, ampliando o acesso ao seguro rural e oferecendo maior previsibilidade financeira para produtores em um ambiente cada vez mais impactado por eventos climáticos extremos. O modelo de negócios opera nos formatos B2B e B2B2C, estruturando soluções de proteção climática sem assumir diretamente os riscos das operações, que são transferidos para resseguradores globais. Segundo a empresa, essa estrutura permite ampliar a oferta de proteção em regiões historicamente pouco atendidas pelo mercado tradicional de seguros.

Um dos exemplos recentes ocorreu em Corumbiara (RO), onde a TRAG estruturou uma apólice paramétrica para um pequeno produtor de milho safrinha que precisava acessar crédito rural por meio do Proagro, mas não encontrava cobertura disponível no mercado tradicional devido às características da operação. A solução permitiu viabilizar o financiamento dentro das exigências previstas no Manual de Crédito Rural.

Segundo o cofundador e CEO da TRAG, Leonardo Maia, o avanço da tecnologia será fundamental para ampliar a proteção do agronegócio diante da crescente volatilidade climática. “O agro brasileiro convive com uma exposição climática crescente, enquanto grande parte dos produtores ainda opera com baixa cobertura e pouca previsibilidade financeira diante dos eventos extremos. Nosso objetivo é usar tecnologia e IA para transformar risco climático em uma variável mais mensurável, acessível e escalável para toda a cadeia”, comenta Leonardo.

Para a empresa, a evolução do seguro rural passa necessariamente pelo uso intensivo de dados, inteligência artificial e modelagem climática. A expectativa é ampliar a capacidade de análise individualizada dos riscos de cada propriedade, cultura e região produtiva. “A nova rodada acelera nossa capacidade de escalar a operação sem perder precisão na análise de risco. Queremos ampliar a distribuição, evoluir os modelos proprietários de IA e consolidar a TRAG como uma plataforma de referência em gestão de risco agroclimático na América Latina”, projeta Luis Ricci Maia, diretor de operações da startup.

Nos próximos 24 meses, a meta é atingir R$ 500 milhões em risco protegido, consolidar parcerias com distribuidores, corretores e outros players estratégicos do agronegócio e avaliar a expansão para mercados como Argentina e Paraguai. Os resultados recentes reforçam o potencial do modelo. A área protegida pela startup cresceu mais de três vezes ao longo de 2025, enquanto a importância segurada avançou quase dez vezes na comparação entre o segundo semestre de 2024 e o segundo semestre de 2025.

“Nosso diferencial não está apenas no produto em si, mas na capacidade de calibrar o risco de forma individualizada por produtor, cultura e região, unindo inteligência climática, engenharia de seguros e distribuição para um dos setores-chave da economia brasileira”, conclui o CEO, Leonardo Maia.