Evento debate futuro do seguro rural diante de eventos climáticos e baixa subvenção
- 29/ maio / 2026
Painel realizado durante o Insurtech Brasil 2026 reuniu especialistas do agro e do mercado segurador para discutir riscos climáticos, tecnologia, subsídio e os desafios da expansão do seguro rural no país
Por Carlos Alberto Pacheco
Em sua 9ª edição, o Insurtech Brasil 2026 é considerado como o principal evento de tecnologia, inovação em seguros e canais de distribuição do país. Realizado no Expo Center Norte, em São Paulo, o encontro reuniu cerca de 1.500 participantes, entre profissionais de seguradoras, empresas de tecnologia, plataformas digitais, fintechs, investidores e demais executivos do setor. Além do networking tradicional nos estandes, o conjunto de painéis diversificados discutiu ampla gama de temas que influenciam toda a cadeia do segmento tecnológico.
“Em 2026, superamos todas as nossas expectativas. O evento avançou apresentou um crescimento significativo em relação ao ano anterior. O nosso objetivo foi o de conectar o mercado, expandindo os horizontes do setor de seguros e promovendo a interação com outros setores”, avaliou José Prado, CEO do Insurtech Brasil. Ele falou sobre as novidades no encontro, como uma sala totalmente dedicada à distribuição de seguros e outra focada na figura do MGA (Managing General Agent), além da diversidade das palestras. “Tivemos um painel interessante sobre agronegócio, um setor com muita tecnologia”, considerou.
O painel “Seguro Agro em Transformação: Desafios Climáticos, Dados e Soluções para Mitigação de Riscos”, por exemplo, reuniu alguns dos maiores especialistas do assunto. Sob a mediação de Moderador Vitor Ozaki, CEO da Picsel, o painel contou com Rodrigo Bertuccelli, Co-CEO da New Seguros; Catia Rivelles, diretora de Subscrição de Agro da Swiss Re; e Afonso Arinos, diretor de Canais de Seguro Agrícola da Alper Seguros. Os palestrantes abordaram o atual cenário do seguro rural, oportunidades e desafios.
Ozaki iniciou as apresentações com uma análise conjuntural e os desafios que envolvem os players. “O setor está vulnerável a políticas externas, intempéries climáticas e taxas de seguros reduzidas que remontam a 2021”, alertou Bertuccelli. Segundo ele, o seguro está “subpenetrado” e precisa se desenvolver tecnologicamente a exemplo de países que são grandes produtores de grãos como a China.
“Colete salva-vidas do PIB”
Em seguida, Rivelles conceituou o seguro agro com características “sistêmicas”, cujo principal fator são os eventos climáticos que atingem cidades e estados inteiros e suas consequências afetam a economia como um todo. A executiva da Swiss Re, contudo, destacou que “o seguro rural é o único que faz parte da segurança alimentar do Brasil”. Arinos emendou, afirmando que o seguro é o “colete salva-vidas do PIB nacional”. Ozaki fez uma provocação aos especialistas. “Mas o que falta para o seguro agrícola ser massificado em todo o País?”, questionou.
Bertuccelli enumerou os obstáculos, como falta de subvenção adequada, instabilidade política e correta subscrição de risco efetiva com justa precificação. Segundo ele, o pequeno e médio produtor não dispõem de um plano de prevenção ante às catástrofes e, muitas vezes, o seguro fica em segundo plano na sua escala de prioridades. Rivelles ponderou: o seguro agrícola é muito recente no Brasil num cenário em que o setor é dominado por alta tecnologia, sobretudo em máquinas e implementos. Análises preditivas e monitoramento por satélites também fazem parte deste universo.
Já Arinos retomou a questão dos desafios do agro: “Estamos assistindo a um festival de eventos climáticos em curto espaço de tempo. Além disso, hoje, 80% de todo o mercado está descoberto sem a subvenção”. Para ele, é preciso que haja união de esforços, com a participação das seguradoras e resseguradoras, na implantação de uma política que contemple, por exemplo, um fundo voltado à prevenção de catástrofes. “Enquanto isso não ocorre, apenas 5% das nossas áreas agrícolas continua segurada”, complementou.
Ozaki enfatizou a questão do subsídio. “Nos Estados Unidos, US$ 110 bilhões são canalizados ao subsídio e, enquanto no Brasil, são direcionados R$ 500 milhões”. O mediador lembrou que o seguro é instrumento de proteção agrícola contemplado no artigo 27 da Constituição Federal. Ele elogiou o conteúdo do Projeto de Lei 2951/2024, da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O PL prevê taxas de juros menores em operações de crédito rural ancoradas pelo seguro. A parlamentar defende que o prêmio do seguro seja subsidiado por um fundo financiado com recursos públicos. O projeto está em tramitação no Senado.