22 de May de 2026
Seguros

Mudanças climáticas e gestão de riscos dominam debates no Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro

  • 21/ maio / 2026

Evento realizado nos dias 19 e 20 de maio reuniu lideranças do setor para discutir resiliência econômica, proteção climática, infraestrutura e o futuro dos seguros e resseguros no Brasil

Por Redação

O Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro reuniu representantes do mercado segurador, resseguradoras, reguladores e especialistas para discutir os principais desafios do setor diante do avanço das mudanças climáticas, da transformação digital e da necessidade de ampliação da proteção securitária no Brasil.

Na abertura do evento, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que o mercado brasileiro de seguros e resseguros atravessa um momento de transformação profunda, marcado por avanços regulatórios, novos riscos globais e maior percepção sobre o papel estratégico da proteção financeira para o desenvolvimento econômico do país.

Dyogo reforçou a necessidade de maior integração entre os mercados de seguros e resseguros. Para ele, essa articulação será essencial para ampliar a proteção da economia brasileira diante de riscos climáticos, da transformação digital e da necessidade de expansão da cobertura securitária no país.

Segundo o executivo, seguros e resseguros são “atividades indissociáveis” e o fortalecimento institucional entre seguradoras, resseguradoras e reguladores será decisivo para enfrentar os novos desafios econômicos e sociais. “O mundo não vai se adaptar a nós. Nós é que teremos de nos adaptar a um ambiente cada vez mais complexo, mais desafiador e mais imprevisível.”

Dyogo Oliveira também chamou atenção para o avanço dos eventos climáticos extremos e seus impactos sobre cidades, infraestrutura e agronegócio. De acordo com ele, os riscos climáticos exigirão soluções cada vez mais globais, especialmente diante do aumento de enchentes urbanas e perdas no setor agropecuário.

O presidente da CNseg destacou ainda que será necessário ampliar a capacidade de redistribuição internacional de riscos para absorver impactos mais frequentes e severos.

Mudanças climáticas, infraestrutura e proteção da sociedade no centro do debate

A crise climática foi um dos temas mais presentes na abertura do evento. Para os participantes, os impactos de eventos extremos já impõem ao setor a necessidade de novas estratégias de compartilhamento de riscos, inovação regulatória e cooperação entre mercado privado e poder público.

O superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani, afirmou que o país precisa construir uma estratégia ampla de resiliência climática, reconhecendo que o mercado privado tem papel essencial, mas não conseguirá absorver sozinho toda a complexidade dos riscos envolvidos.

Ele informou ainda que um grupo de trabalho da Susep deverá concluir, ainda neste semestre, documento que servirá de base para novas discussões sobre mecanismos de compartilhamento de riscos e fortalecimento da proteção securitária no país.

Na sequência, a autarquia deverá criar um grupo de trabalho voltado à relação entre seguros, resseguros e infraestrutura. A proposta, segundo Octaviani, é fazer com que o setor funcione como “infraestrutura da infraestrutura brasileira”, ajudando a destravar investimentos, ampliar garantias e fortalecer a segurança econômica dos projetos.

Com debates sobre clima, infraestrutura, agronegócio, regulação, inovação e inclusão securitária, o Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro se consolida como um dos principais fóruns latino-americanos dedicados ao futuro do setor e à construção de uma economia mais resiliente.