5 de May de 2026
Seguros

FenSeg destaca avanços do Zarc e alerta para desafios climáticos no seguro rural durante seminário da Embrapa

  • 4/ maio / 2026

Participação da Federação reforça importância da integração entre políticas públicas, crédito e seguro para ampliar a proteção no campo

Por Redação

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) participou da 9ª Reunião da Rede Zarc, realizada entre os dias 28 e 30 de abril, em Brasília. O encontro marcou os 30 anos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e reuniu representantes do setor público, privado e da comunidade científica para discutir os avanços na gestão de riscos no agronegócio.

Promovido pela Embrapa, o evento destacou a evolução metodológica do Zarc e sua integração crescente com instrumentos estratégicos como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o Proagro e o crédito rural, reforçando o papel do seguro rural como eixo central da política agrícola.

Representando a FenSeg, o presidente da Comissão de Seguro Rural, Daniel Nascimento, ressaltou a importância do zoneamento para o desenvolvimento do mercado. “O Zarc é hoje uma referência essencial para o mercado. Praticamente não existe apólice de seguro rural sem estar enquadrada no zoneamento, e a vinculação ao PSR foi um avanço importante para direcionar melhor os recursos públicos e fortalecer a mitigação de riscos no campo”, afirmou.

Segundo o executivo, o próximo avanço relevante passa pela ampliação dessa integração. “A vinculação do Zarc também ao crédito rural tende a ser um avanço importante, porque melhora a alocação dos subsídios e fortalece a lógica de gestão de risco tanto para o seguro quanto para o financiamento da produção”, acrescentou.

A FenSeg também apresentou uma análise da evolução do mercado nas últimas décadas, destacando desafios recentes. De acordo com Nascimento, a safra 2021/2022 foi um ponto de inflexão, com perdas significativas e níveis de sinistralidade que chegaram entre 500% e 600% em algumas seguradoras.

“O principal risco hoje, tanto para o mercado quanto para o produtor, está relacionado à variabilidade das chuvas, especialmente à seca. Diferentemente de eventos como granizo ou geada, que são mais localizados, a seca afeta regiões inteiras, o que caracteriza o seguro agrícola como um seguro de riscos correlacionados e amplia significativamente o impacto das perdas”, explicou.

Outro alerta feito pela entidade foi sobre o chamado “gap de proteção” no campo. “Já tivemos cerca de 14% a 15% da área plantada segurada no Brasil. Hoje, esse percentual está abaixo de 5%, o que mostra o tamanho do desafio para ampliar o acesso ao seguro rural”, destacou.

Nesse cenário, o avanço do Zarc, especialmente com a implementação do modelo de Níveis de Manejo (ZarcNM), surge como uma das principais apostas para o fortalecimento do seguro rural. A nova metodologia incorpora a qualidade do manejo do solo na análise de risco, permitindo uma abordagem mais precisa e alinhada à realidade produtiva.

“Estamos caminhando para um modelo de maior personalização do seguro rural, saindo de uma lógica baseada em médias municipais para uma abordagem mais aderente à realidade de cada produtor. O Zarc de Níveis de Manejo é fundamental nesse processo”, afirmou Nascimento.

O executivo também enfatizou a necessidade de o setor acompanhar a evolução tecnológica. “O setor precisa estar atento a essas inovações para aprimorar continuamente seus modelos de subscrição e ampliar a capacidade de mitigação de riscos”, concluiu.

A 9ª Reunião da Rede Zarc reuniu cerca de 100 especialistas, incluindo pesquisadores da Embrapa, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, Banco Central, setor produtivo e instituições financeiras, consolidando o Zarc como um dos principais instrumentos de gestão de risco climático na agricultura brasileira.