Crédito bilionário reacende alerta para o seguro rural na Agrishow
- 28/ abril / 2026
Anúncio de R$ 10 bilhões ocorre em meio a pressão por crédito mais barato e baixa proteção no campo
Por Redação
O anúncio de uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões para máquinas agrícolas, feito por Geraldo Alckmin durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, reforça um ponto crítico para o agronegócio brasileiro: a necessidade de ampliar o seguro rural como base de sustentação do crédito no campo.
Ao confirmar a liberação dos recursos com juros reduzidos nas próximas semanas, o vice-presidente sinalizou um movimento importante para destravar investimentos. “A gente imagina que em três semanas estará liberada, são R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou Geraldo Alckmin.
Apesar do reforço financeiro, o cenário descrito por lideranças do setor aponta que crédito, sozinho, não resolve o problema estrutural do agro sem uma política robusta de seguro rural. Ao lado do vice-presidente, o ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que o foco é estruturar um Plano Safra mais forte, com maior volume de recursos e condições mais aderentes à realidade do produtor.
Pressão de custos e risco elevado no campo
A leitura do setor é clara: o aumento dos custos, juros elevados e riscos climáticos crescentes têm pressionado a sustentabilidade financeira do produtor. O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, chamou atenção para a necessidade de previsibilidade e ajustes no desenho do próximo Plano Safra, reforçando a importância de instrumentos que garantam estabilidade.
Na mesma linha, o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, foi direto ao descrever o cenário: “Custos pressionados, crédito restrito e juros que inviabilizam é o preço e inadimplência e recuperações judiciais. Essa é a realidade, com margens espremidas e juros quase extorsivos.”
Esse ambiente evidencia o papel estratégico do seguro rural. Sem proteção adequada contra perdas, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos, o crédito tende a encarecer e o risco sistêmico aumenta, impactando toda a cadeia do agronegócio.
Seguro rural como base do financiamento
A ampliação do crédito anunciada pelo governo ocorre em um momento em que o seguro rural ainda apresenta baixa penetração no Brasil, limitando a previsibilidade das operações e elevando o risco para produtores, instituições financeiras e seguradoras.
A sinalização de medidas adicionais, como a renegociação de dívidas agrícolas, reforça esse diagnóstico. O próprio Geraldo Alckmin indicou que o governo pretende avançar nesse tema, abrangendo tanto produtores inadimplentes quanto aqueles em dia com suas obrigações, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados.
O recado do mercado é direto: sem seguro rural estruturado, o crédito perde eficiência. A combinação entre financiamento acessível e proteção contra riscos é o que sustenta, de fato, a capacidade de investimento e a resiliência do produtor no longo prazo.
Cenário político e expectativa do setor
A edição deste ano da Agrishow reúne cerca de 800 expositores e segue até 1º de maio, consolidando-se mais uma vez como palco central das discussões sobre o futuro do agronegócio. O evento também mantém forte presença política, refletindo o peso do setor na economia e nas decisões estratégicas do país.
Mais do que o volume de recursos anunciado, o que está em jogo é a construção de um modelo mais equilibrado entre crédito e gestão de risco. E, nesse ponto, o seguro rural deixa de ser acessório e passa a ser protagonista para garantir estabilidade, previsibilidade e crescimento sustentável no campo.