Seguro rural perde força em 2025 e reacende debate sobre proteção e financiamento no agronegócio
- 19/ março / 2026
Queda na arrecadação acende alerta sobre cobertura no campo e amplia discussões sobre crédito, seguro e novos instrumentos financeiros
Por Redação
O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo um ciclo de expansão observado nos anos anteriores e acendendo um alerta sobre os mecanismos de proteção financeira disponíveis para o agronegócio brasileiro.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano, passando de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025. A queda ocorre em um contexto de redução de recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural e de maior cautela por parte dos produtores diante do aumento do custo das apólices.
Esse cenário ajuda a explicar por que a proteção financeira no campo ganhou relevância nas discussões do setor. O tema estará no centro do “Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio. Proteção rural e novos instrumentos de financiamento”, que será realizado no dia 8 de abril, em Brasília.
A retração contrasta com a trajetória de crescimento observada entre 2021 e 2024, quando a arrecadação evoluiu de R$ 9,6 bilhões em 2021 para R$ 13,4 bilhões em 2022, R$ 14 bilhões em 2023 e R$ 14,2 bilhões em 2024. A queda registrada em 2025 interrompe esse movimento e indica uma desaceleração na demanda por cobertura securitária rural.
A combinação entre a redução da arrecadação e a manutenção das indenizações reforça a percepção de aumento da exposição ao risco no campo. Parte dos produtores pode estar operando com menor nível de proteção, justamente em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos, o que amplia a vulnerabilidade financeira das cadeias produtivas.
O evento que discutirá esse cenário contará com dois painéis centrais. O primeiro, intitulado “Novos instrumentos de financiamento como mecanismos que impulsionam o crescimento e a sustentabilidade do agronegócio”, abordará alternativas para ampliar e diversificar as fontes de recursos destinadas ao setor, com foco em investimentos em tecnologia, modernização da infraestrutura e práticas produtivas mais sustentáveis.
Participam desse debate Fabiana Perobelli, Client Relationship – Brokers and Agribusiness Companies da B3; Marcelo Porteiro, superintendente da Área Agropecuária e de Inclusão Social do BNDES; João Rabelo, diretor de Novos Negócios do IRB Re; e Octaciano Neto, sócio-fundador da Zera.Ag. A moderação será conduzida por Gláucio Nogueira Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação de Seguros Gerais.
A discussão reflete um movimento crescente de aproximação entre o agronegócio e o mercado de capitais, com o desenvolvimento de novas estruturas financeiras voltadas ao financiamento da produção, da inovação tecnológica e da expansão das cadeias produtivas.
Na sequência, o segundo painel, “Destravando o seguro rural no Brasil: inovação e resiliência climática”, tratará dos desafios estruturais do seguro rural no país e das oportunidades trazidas pela transformação digital e pelo uso de novas tecnologias no monitoramento e na gestão de riscos.
O debate reunirá Bruno Alves, diretor de Tecnologia, Portfólio, Soluções Digitais e Analytics da BB Seguros; Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária; Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agropecuária; e Monica Sodré, CEO da Meridiana. A moderação será feita por Renato Buranello, vice-presidente da ABAG. O painel discutirá como a ampliação do seguro rural pode contribuir para mitigar perdas causadas por eventos climáticos extremos e fortalecer a estabilidade financeira das cadeias produtivas.
Especialistas apontam que o avanço de instrumentos de crédito, seguros e resseguros é fundamental para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro. Em um setor altamente exposto a riscos climáticos, oscilações de preços e desafios logísticos, a ampliação das ferramentas de proteção financeira é decisiva para garantir continuidade produtiva, segurança de renda e atração de investimentos.
Nesse contexto, o diálogo entre o setor segurador, instituições financeiras, governo e representantes do agro tende a ganhar ainda mais relevância na construção de soluções estruturais capazes de fortalecer a competitividade do campo brasileiro no cenário global. O encontro será encerrado após os debates técnicos, consolidando as discussões sobre como seguros, crédito e inovação podem atuar de forma integrada para ampliar a segurança econômica e a resiliência do agronegócio no país.
Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras, Associação Brasileira do Agronegócio e Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, o evento reunirá autoridades públicas, especialistas e representantes do mercado financeiro para discutir caminhos que ampliem o acesso a recursos e reforcem a proteção do produtor rural diante de novos riscos econômicos e climáticos.