13 de March de 2026
Estudos

FGV e IRB(Re) ampliam cooperação em pesquisas sobre seguros e riscos climáticos

  • 13/ março / 2026

Parceria reúne academia e setor segurador para desenvolver estudos sobre riscos climáticos, adaptação e instrumentos de proteção financeira

Por Redação

O IRB(Re) lançou no Rio de Janeiro o Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência, iniciativa criada para aproximar academia, setor público, empresas e sociedade civil na produção de conhecimento aplicado à gestão de riscos no país.

A proposta é fortalecer a base científica necessária para compreender melhor os riscos contemporâneos, em especial aqueles relacionados às mudanças climáticas, e apoiar o desenvolvimento de políticas públicas, iniciativas regulatórias e instrumentos de proteção financeira.

O evento reuniu representantes de órgãos reguladores, centros de pesquisa e instituições acadêmicas, entre elas a Fundação Getulio Vargas, que também anunciou a criação do Centro de Estudos de Riscos Climáticos, Adaptação e Mitigação, chamado FGV Riscos Climáticos. A nova estrutura será desenvolvida pelo Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros da FGV em parceria com o IRB(Re).

Durante o lançamento, o IRB(Re) destacou que o novo centro nasce com foco especial na compreensão dos riscos climáticos e na produção de soluções capazes de apoiar a formulação de políticas públicas e o avanço de instrumentos de proteção financeira no país.

Ao comentar a relevância da iniciativa, Mauricio Quintella, presidente do conselho de administração do IRB(Re), ressaltou a importância da produção de conhecimento técnico para o setor segurador. “O mundo mudou e os riscos mudaram. O IRB(Re) sempre foi a espinha dorsal da inteligência brasileira na indústria do seguro, e o que vemos aqui neste lançamento é essa inteligência reunida trabalhando pelo país.”

O CEO do IRB(Re), Marcos Falcão, também destacou que o avanço das mudanças climáticas exige novas abordagens metodológicas para o entendimento dos riscos. “Para proteger o futuro, precisamos reinventar a forma de entender e modelar riscos.” Ele reforçou ainda o desafio da baixa proteção securitária no Brasil. “Uma sociedade como a nossa, tão desenvolvida em tantos setores, continua profundamente subsegurada. Precisamos mudar isso com ciência, tecnologia e cooperação.”

O novo centro da FGV foi apresentado durante o evento pela diretora de Pesquisa e Inovação da instituição, Goret Paulo. Segundo ela, a criação da estrutura responde diretamente ao aumento da frequência e da severidade dos desastres ambientais no país. “Eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes. O ecossistema está mudando, e precisamos direcionar nosso esforço de pesquisa para enfrentar esses desafios que se colocam para a sociedade”, afirmou Goret, que também integra o Conselho Consultivo do Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros da FGV.

O FGV Riscos Climáticos será estruturado em três pilares científicos. O primeiro será dedicado à modelagem de risco físico, combinando simulações estocásticas, dados observacionais e metodologias de catastrophe modeling para estimar probabilidades, severidade e perdas econômicas de eventos extremos.

O segundo pilar utilizará econometria climática avançada para analisar instabilidades, não linearidades e efeitos em cascata, produzindo previsões e inferências sobre impactos ambientais e socioeconômicos.

O terceiro eixo transformará essas análises em implicações macrofinanceiras, com estudos sobre solvência, ativos, regulação prudencial, modelos de transferência de risco e métricas aplicáveis a testes de estresse e políticas públicas.

Segundo Goret Paulo, ampliar a produção de conhecimento é essencial para enfrentar gargalos históricos do país. “O Brasil tem um enorme gap de cobertura na área de seguros que precisa ser diminuído. Para isso, estamos mobilizando nossos mais de 700 pesquisadores na FGV e investindo também em educação e capacitação em seguros.”

O novo centro já nasce conectado a uma rede multidisciplinar de parceiros estratégicos, entre eles a Columbia University e a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo. A expectativa é ampliar essa cooperação para o desenvolvimento de modelos inovadores, formação de especialistas e apoio à formulação de políticas públicas voltadas à gestão de riscos climáticos.

O Centro Brasileiro de Estudos de Risco e Resiliência do IRB(Re) também atuará na construção de uma rede nacional de pesquisadores e parceiros, envolvendo universidades, empresas, governos e organizações da sociedade civil, com foco em ampliar a produção de conhecimento e fortalecer a cultura de gestão de riscos no Brasil.