Roberto Rodrigues destaca seguro rural como eixo para estabilizar renda do agro
- 11/ fevereiro / 2026
Ex-ministro avalia cenário de custos elevados, critica protecionismo internacional e defende ação consistente do governo para ampliar cobertura no campo
Por Redação
Em entrevista ao CNN Agro News, exibida na manhã desta terça-feira (10), o ex-ministro da Agricultura e embaixador especial da FAO, Roberto Rodrigues, apontou o seguro rural como instrumento central para dar previsibilidade e estabilidade à renda do produtor brasileiro.
Segundo ele, o principal desafio do setor em 2026 será a rentabilidade. Rodrigues afirmou que os custos de produção seguem elevados, com taxas de juros próximas de 20% ao ano, enquanto os preços internacionais recuam diante do aumento da oferta global. Na avaliação do ex-ministro, essa combinação pressiona a sustentabilidade econômica da atividade e reforça a necessidade de um sistema robusto de seguro rural.
Rodrigues observou que, apesar das tentativas de estruturar o mecanismo no país, a cobertura ainda é limitada. Atualmente, menos de 7% da área agrícola brasileira estaria segurada, cenário que, segundo ele, evidencia a necessidade de maior comprometimento do poder público para viabilizar a expansão do programa.
Crescimento das exportações
Durante a entrevista, o ex-ministro também destacou a trajetória de crescimento do agronegócio brasileiro no comércio internacional. Ele lembrou que, em 2000, as exportações do setor somaram cerca de US$ 20 bilhões, enquanto no ano passado alcançaram aproximadamente US$ 170 bilhões, resultado que classificou como expressivo em termos globais.
Rodrigues atribuiu esse avanço ao desenvolvimento de tecnologia adaptada às condições tropicais, impulsionada especialmente a partir dos anos 1980. Ele recordou que o Brasil chegou a importar cerca de 30% dos alimentos que consumia e que a atuação da Embrapa foi decisiva para reverter esse quadro, ampliando produtividade e incorporando ganhos de sustentabilidade.
Protecionismo e barreiras comerciais
O ex-ministro também apontou o aumento do protecionismo como um obstáculo relevante ao comércio exterior do agro brasileiro. Ele citou a demora na conclusão do acordo entre União Europeia e Mercosul como exemplo das resistências existentes.
Rodrigues explicou que, em diversos mercados, as tarifas são mais elevadas para produtos com maior valor agregado. Como ilustração, afirmou que o café em grão entra na Europa sem tarifa, enquanto o produto torrado, moído ou solúvel enfrenta cobrança, mecanismo que, segundo ele, protege a indústria local da concorrência.
Questões ambientais e imagem do setor
Ao abordar o debate ambiental, Rodrigues afirmou que crimes como desmatamento ilegal, invasões de terra, garimpo clandestino e incêndios criminosos não devem ser atribuídos genericamente aos produtores rurais. Para ele, é preciso diferenciar ilegalidades de práticas produtivas regulares.
O ex-ministro defendeu o combate rigoroso a atividades ilegais e apresentou dados para reforçar o argumento de que o aumento da produção brasileira ocorreu com ganhos expressivos de produtividade. De acordo com ele, nos últimos 35 anos, a área plantada com grãos cresceu cerca de 120%, enquanto a produção avançou 540%. Atualmente, o país cultiva aproximadamente 60 milhões de hectares com grãos. Mantida a produtividade atual, mas com os índices de 1990, seriam necessários mais 125 milhões de hectares, o que, segundo Rodrigues, evidencia o ganho tecnológico e a preservação de áreas.