28 de December de 2025
Seguros

Seguro Rural: cultura, capacitação e inovação ainda são entraves para o avanço do setor

  • 29/ setembro / 2025

No CONEC 2025, especialistas destacaram desafios e oportunidades para ampliar a penetração do seguro rural no Brasil

Por Tany Souza

Durante a 25ª edição do Congresso dos Corretores de Seguros (CONEC), realizada entre os dias 25 e 27 de setembro, em São Paulo, o painel “Seguro Rural – Desafios, Tendências e Oportunidades” reuniu Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, e David Elias Martin, coordenador da Comissão de Riscos Rurais do Sincor-SP, para debater os principais entraves e perspectivas do setor.

Na visão de Glaucio Toyama, o maior desafio ainda é cultural, tanto entre produtores quanto dentro do próprio mercado de seguros. “O principal entrave é a cultura do produtor e também a cultura do seguro de uma maneira geral. Para corretores, é um produto com muito espaço, mas precisamos de mais profissionais interessados. Não é um ramo difícil, exige estudo e dedicação”, afirmou Toyama.

Ele destacou ainda a importância de ampliar o engajamento de seguradoras, produtores e corretores na construção de um mercado mais estruturado. “Este ano chegamos talvez a 7% de terras seguradas, um número ainda pequeno para um país com dimensões continentais. Precisamos encontrar outros mecanismos que tragam mais produtores para o seguro rural”, acrescentou.

Segundo Toyama, o orçamento público destinado à subvenção ao prêmio do Seguro Rural está longe de atender à demanda real. “O orçamento não é suficiente, não foi e provavelmente não será em 2026. Fala-se em R$ 1 bilhão, mas nossa necessidade está mais próxima de R$ 2,5 bilhões, o que poderia ampliar em 20 milhões de hectares a área segurada. Falta dinheiro para isso”, afirmou.

O executivo também apontou as cooperativas como potenciais parceiras estratégicas. “As cooperativas podem ser um bom caminho no futuro. Ainda não têm expertise em resseguro e precificação, mas acredito que chegarão lá com o tempo”, avaliou Toyama.

Capacitação dos corretores e oportunidades de mercado

Para David Elias Martin, não há barreiras técnicas intransponíveis para os corretores ingressarem no Seguro Rural. “Não é preciso habilidade especial. Claro que ajuda conhecer agro ou pecuária, mas, como em qualquer ramo de seguros, basta estudar e aprender. Muita gente se assusta e não se arrisca, mas não há grande diferença”, ressaltou.

Martin reforçou que capacitação e parcerias são essenciais para quem deseja iniciar nesse segmento. “O caminho mais fácil para o corretor que nunca trabalhou com seguro rural é buscar informação, capacitação e parcerias com companhias e colegas mais experientes. Uma venda mal feita não ajuda o produtor e prejudica o setor como um todo”, alertou.

Seguro paramétrico como complemento

Os especialistas também abordaram o avanço dos seguros paramétricos, que utilizam indicadores como chuva e temperatura para disparar gatilhos de cobertura. Toyama destacou que o modelo tende a crescer, mas sem substituir o Seguro Rural convencional. “Se conseguimos medir temperaturas ou volumes de chuva, podemos prever riscos e criar regras claras para acionar indenizações. O produto vai evoluir, mas será sempre complementar ao modelo tradicional”, explicou.

Na mesma linha, Martin complementou: “Não dá para acreditar que o paramétrico será a salvação. Ele precisa estar acoplado a um seguro convencional para ter resultado realmente interessante”.

Apesar dos desafios, Toyama ressaltou que as oportunidades são enormes. “Temos perto de 220 corretores atuando em máquinas e equipamentos, menos de 20 em pecuária e praticamente nenhum em florestas. O espaço é imenso. Mas é preciso planejamento de negócios: entender o que oferecer, qual a penetração possível e como atender às diversas necessidades do produtor”, concluiu.