28 de December de 2025
Estudos

Agronegócio sofre quase 20 mil violações de segurança no primeiro semestre do ano, revela ISH Tecnologia 

  • 19/ agosto / 2025

Ataques podem paralisar operações, afetar a produção e gerar prejuízos milionários 

Por Redação

O setor do agronegócio sofreu com 19.265 violações de segurança no primeiro semestre deste ano. É o que revela um levantamento da ISH Tecnologia, principal empresa nacional de cibersegurança – destes incidentes, 98% foram considerados violações reais, e 16,85% de alta severidade. 

O mês com maior número de violações foi abril, com 3.124. Além disso, as regiões mais afetadas foram Sudeste, Centro-Oeste e Sul. “Com o uso cada vez maior de tecnologias conectadas, o agronegócio passou a depender de sistemas digitais para monitorar safras, controlar irrigação, prever condições climáticas e até negociar commodities. Essa conectividade, embora benéfica, expõe produtores a ataques cibernéticos como ransomware, invasões de sistemas e roubo de dados. Um ataque bem-sucedido pode paralisar operações inteiras, afetar a produção e gerar prejuízos milionários”, explica Renan Pedroso, Gerente de Ciberdefesa da ISH. 

O material da ISH destaca também que muitos produtores rurais ainda não têm uma cultura de cibersegurança consolidada. Senhas fracas, ausência de backups, softwares desatualizados e redes sem proteção são comuns em propriedades rurais, o que torna o setor um alvo fácil para hackers, que muitas vezes exploram brechas simples para obter acesso a informações sensíveis ou comprometer sistemas operacionais. 

Pedroso explica também que dados mais estratégicos, como previsão de safra, preços futuros e a logística das operações podem ser roubados ou manipulados por criminosos, gerando instabilidade no mercado e até mesmo prejuízos à competitividade nacional.

Setor visado 

Segundo dados recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o agronegócio representa aproximadamente 29,4% do PIB brasileiro em 2025, um aumento em relação aos 23,5% registrados em 2024. Esse número reforça ainda mais a importância estratégica do setor para a economia nacional e, por consequência, o impacto potencial de ataques cibernéticos. “Quando quase um terço do PIB depende de operações agrícolas e pecuárias, garantir a segurança digital dessas atividades deixa de ser uma questão técnica e passa a ser uma prioridade econômica e nacional”, afirma Pedroso. 

Além disso, outros dados da ISH revelam que o agronegócio foi o 8° setor mais visado por criminosos em 2024, acima de outros mais “tradicionais” como educação e logística, o que consolida sua posição como um dos “novos preferidos” dos criminosos, especialmente levando em consideração a baixa maturidade de muitas empresas.

Vetores de ataque e prevenção 

O levantamento da ISH também traz quais foram as cinco principais táticas utilizadas por criminosos nas violações:

  1. Acesso inicial: como o invasor entra no ambiente (spear phishing, exploração de serviços publicados na internet)   
  2. Execução: como o código malicioso é executado (scripts, PowerShell, agendadores) 
  3. Acesso a credenciais: como o atacante consegue as credenciais (força bruta, phishing de credenciais, keylogging) 
  4. Persistência: como o invasor mantém acesso ao sistema mesmo após reinicializações ou mudanças (criação de contas, serviços no boot) 
  5. Comando e Controle (C2): como o atacante se comunica com a máquina comprometida (HTTP, DNS, servidores de aplicação, canais criptografados). 

Por fim, Pedroso fala sobre a urgência da necessidade de investimentos em cibersegurança no campo: “as medidas incluem capacitação dos colaboradores, uso de antivírus e firewalls, atualização constante dos sistemas, autenticação em dois fatores e consultoria especializada. A segurança digital deve ser vista como parte da infraestrutura agrícola, tão essencial quanto tratores ou sementes. O investimento não tem como objetivo principal a obtenção de novos lucros, mas sim evitar perdas, muitas vezes irreparáveis.”