Tarifaço de Trump: setores do agro do Brasil reagem ao aumento das tarifas
- 30/ julho / 2025
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil calcula perdas de US$ 5,8 bilhões em exportações do setor
Por Globo Rural
A ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (30/7), acentua a incerteza em diversos setores do agronegócio, que vem calculando possíveis perdas com o que podem deixar de vender para os Estados Unidos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil calcula um impacto de US$ 5,8 bilhões em exportações do setor para o mercado americano.
A tarifa, que antes era de 10% passou a ser de 50% sobre as importações. Carne, café e suco de laranja estão entre os principais itens da pauta de exportações. Representantes de diversos segmentos se manifestam sobre a medida, agora confirmada.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) fala em uma “corrida contra o tempo” para reverter a situação ou, pelo menos, reduzir seus danos. Segundo o diretor-executivo da entidade, Marcos Matos, as negociações de isenção ou redução das tarifas passam a ser “país por país”, dependendo do produto.
“A entrada da taxa, que já era um cenário mais provável, não impede a nossa negociação. Em exemplos anteriores, vários países foram taxados e negociaram outros formatos depois”, frisa.
O Cecafé avalia que a relação bilateral com os Estados Unidos pode direcionar a um melhor cenário de tarifas para o café do Brasil. Hoje, os EUA importam cerca de 24% do grão brasileiro. São o principal cliente da cafeicultura brasileira. “Teremos de correr contra o tempo, conviver o menor tempo possível com essas taxas, tentar baixá-las e conseguir um diálogo. A grande questão é quando e como”, diz.
Para a indústria de máquinas agrícolas, o tarifaço coloca um freio no otimismo. As vendas de máquinas agrícolas no Brasil se mantêm em alta, mas o clima é de cautela. No início do ano, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) projetava crescimento de 8% nas vendas em relação a 2024, e a expectativa era de revisar essa estimativa.
Mas o tarifaço adiou a decisão. Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, a situação “acrescentou uma camada de incerteza” que pode afetar decisões de compra nos próximos meses.
“A medida tem repercussões tanto econômicas quanto comportamentais: enquanto os setores diretamente impactados já revisam planos, produtores de outras cadeias também adotam postura mais conservadora”, afirmou o executivo.