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Impactos climáticos severos do El Niño e La Niña ameaçam resiliência econômica na América Latina

Estudo da Swiss Re Institute destaca vulnerabilidades regionais e a necessidade urgente de adaptação e mitigação

Por Tany Souza

A América Latina está enfrentando um período crítico de instabilidade climática, conforme revela o estudo “Economic insights El Niño y La Niña in Latin America: when it rains, it pours”, produzido pela Swiss Re Institute. Com chuvas torrenciais recentemente associadas ao fenômeno El Niño no Brasil, a região se prepara agora para uma rápida transição para o La Niña, o que poderá testar severamente as já conhecidas lacunas de proteção contra eventos climáticos induzidos pelo ENOS (El Niño-Oscilação Sul).

O El Niño de 2023-24 trouxe ondas de calor intensas para o Brasil, incêndios florestais no Chile, Argentina e Colômbia, além de inundações em várias outras regiões. Chuvas torrenciais recentemente atingiram o sul do Brasil, resultando em mortes, inundações e deslizamentos de terra. Em contraste, o Panamá experimentou secas severas, afetando drasticamente o trânsito de navios no Canal do Panamá, uma rota comercial vital.

As variações nas exportações de commodities, induzidas pelo ENOS, afetam diretamente o crescimento econômico e a inflação na região. A agricultura, em particular, sofre grandes interrupções, impactando fortemente as comunidades rurais. O último evento de La Niña (2021/22) causou secas recordes, quebra de safras e aumento global nos preços dos alimentos. No Brasil, os sinistros de seguros agrícolas aumentaram 47% em 2022.

Para enfrentar esses desafios, a pesquisa destaca a necessidade de medidas de adaptação e mitigação, além de uma maior adoção de produtos de seguros. Exemplos incluem a construção de reservatórios multiuso, como o proposto pela Autoridade do Canal do Panamá, para enfrentar as estações secas.

A infraestrutura regional também precisa de investimentos significativos. Há uma diferença entre os gastos reais e a necessidade estimada em 1,3% do PIB em 2023, colocando a América Latina atrás apenas da África entre as regiões emergentes.

O estudo da Swiss Re Institute enfatiza a importância de uma abordagem multifacetada para lidar com os impactos do ENOS na América Latina. A resiliência regional depende não apenas de seguros eficazes, mas também de estratégias robustas de adaptação e mitigação. Com eventos climáticos severos se tornando cada vez mais frequentes, a preparação e a ação proativa são essenciais para proteger as economias e comunidades vulneráveis da região.

Principais conclusões do estudo

  1. Vulnerabilidade Regional ao ENOS: Embora o ENOS tenha um alcance global, a América Latina é particularmente suscetível aos eventos climáticos extremos que ele desencadeia. Esses eventos tendem a agravar as lacunas de proteção existentes, especialmente na agricultura e na propriedade.
  2. Necessidade de Resiliência Ampliada: O seguro por si só não é suficiente para enfrentar os desafios impostos pelo ENOS. Adaptação e mitigação são cruciais para aumentar a resiliência.
  3. Impactos Econômicos Não Lineares: Os efeitos dos eventos climáticos do ENOS são variáveis e complexos, mas frequentemente resultam em danos à infraestrutura, crescimento econômico mais fraco e pressões inflacionárias.
  4. Aumento da Inflação: Estima-se que um aumento de 1°C na temperatura da superfície do mar do Oceano Pacífico contribua com 0,24 a 0,47 pontos percentuais à inflação anualizada na América Latina.

Para ler o estudo completo, acesse: El Niño e La Niña na América Latina: quando chove, chove | Suíça Re (swissre.com)

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