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COP28: agricultura sustentável precisa do biochar

Um dos principais temas da COP28, que ocorre a partir de 30 novembro, em Dubai, será a agricultura e a sua conexão com as mudanças climáticas

Por Redação

Agricultura e sua conexão com as mudanças climáticas será um dos principais temas da 28ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP28), que ocorre de 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A discussão promete ser acalorada, já que até 25% das emissões globais de gases de efeito estufa são atribuídas ao uso da terra e às alterações no ambiente que ele implica.

No Brasil, um dos projetos para combater as alterações climáticas e tornar a agricultura mais sustentável é o da NetZero, reconhecida como uma das 15 propostas de remoção de carbono mais promissoras do mundo pela Fundação Musk. A green tech francesa se dedica à produção de biochar em larga escala, ou seja, um condicionador do solo obtido a partir de resíduos de biomassa, como a palha de café e o bagaço de cana, em uma forma de carvão muito estável através de um processo térmico. Incorporado no solo, o principal benefício é sua função de “esponja de carbono”, que ajuda terras agrícolas a reter água e nutrientes, contribuindo também para a remoção de carbono da atmosfera. Os benefícios do biochar também foram reconhecidos extensivamente e são validados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

A operação da NetZero ocorre em Lajinha (MG), em uma fábrica com capacidade para produzir cerca de 4.000 toneladas de biochar por ano, o que significa remover anualmente mais de 6.500 toneladas de CO2 equivalente da atmosfera – isso sem contar as emissões evitadas ligadas ao menor uso de fertilizantes químicos. Em Brejetuba (ES), está sendo construída a segunda fábrica, que deve começar a operar no começo de 2024 com capacidade similar a de Lajinha.

Dois estudos recentes (aqui e aqui) apontam que o potencial de remoção de carbono do biochar é de cerca de 2 bilhões de toneladas de CO2 por ano, o equivalente a cerca de 5% das atuais emissões globais anuais de dióxido de carbono. Isso também representa cerca de 25% da capacidade global necessária de remoção de carbono até 2050 para atingir emissões líquidas zero. Mostram, ainda, que os resíduos agrícolas representam 85% do potencial de matéria-prima para remoção de CO2 por meio do biochar. No Brasil, a cana-de-açúcar e a soja representam cerca de 70% do potencial de remoção.

“São pesquisas que mostram o Brasil no topo dos países com maior potencial de produção e remoção de carbono, ou seja, podendo chegar a 250 a 500 milhões de toneladas de CO2 removidas por ano por meio do biochar. São números muito animadores e promissores para o Brasil, o país onde foi descoberta a Terra Preta, precursora do biochar, inventada pelos indígenas na Amazônia”, explica Olivier Reinaud, cofundador e diretor-geral da NetZero.

Em Lajinha, a NetZero firmou uma parceria com a Coocafé, uma cooperativa que reúne mais de 10 mil cafeicultores. Eles fornecem milhares de toneladas de resíduos não utilizados provenientes do processo de envelhecimento do café, e a NetZero os transforma em biochar. Estes mesmos agricultores utilizam então este biochar nos seus campos para melhorar a produtividade das culturas e reduzir a utilização de fertilizantes, ao mesmo tempo que ajudam na remoção do carbono. Na produção de café, fertilizantes são responsáveis por mais de dois terços das emissões de CO2. Com o uso do biochar, que basta ser aplicado uma única vez no solo, é possível reduzir em 33% a aplicação dos adubos e, ainda assim, aumentar em 14% a produtividade média.

No início deste ano, a NetZero anunciou um aumento de capital de 11 milhões de euros, tornando-se a companhia de tecnologia em meio ambiente a alcançar o maior volume de recursos em uma Série A na Europa. Em 2022, a green tech foi reconhecida como um dos 15 projetos de remoção de carbono mais promissores do mundo no concurso internacional XPRIZE Carbon Removal, da Fundação Elon Musk.

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